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Indicação da vacina de HPV será ampliada para meninos de até 15 anos. Hoje, o imunizante é oferecido às meninas e aos meninos entre 12 e 13 anos

A ampliação deverá ser feita também entre meninas e alguns grupos de pacientes. (Foto: Reprodução)

O Ministério da Saúde vai ampliar a indicação de vacina para HPV. Documento oficial preparado pela pasta mostra que, a partir deste mês de junho, os meninos entre 12 a 15 anos também poderão tomar o imunizante que protege contra o vírus.

Hoje, a vacina está disponível apenas para os meninos entre 12 e 13 anos. A reportagem apurou, no entanto, que outros grupos também serão beneficiados com a medida.

A ampliação deverá ser feita também entre meninas e alguns grupos de pacientes. A definição dos demais grupos será feita na próxima reunião entre secretários estaduais e municipais de saúde.

Segundo a pediatra Flávia Bravo, presidente regional da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), no Rio de Janeiro, a imunização é uma maneira de os pais encararem a sexualidade de seus filhos, para que os jovens iniciem mais preparados a vida sexual. A situação também vale para as meninas, que desde 2014 vêm recebendo a vacina.

“Estudos mostram que não há relação entre a vacinação e o início da vida sexual. Temos de abrir o olho e saber que nossos filhos vão iniciar a vida sexual na adolescência, não adianta negar, independentemente de estar vacinado ou não. Se eu quero proteger meu filho, é melhor ele se vacinar antes que entre em contato com o vírus e, quanto mais novo ele for, melhor será a resposta à vacina. A idade estipulada tem a ver com isso”, destacou Flávia.

Para o infecto pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm, após o Ministério da Saúde ter priorizado as meninas – em função da alta incidência de HPV nos casos de câncer de colo de útero (são 16 mil novos no Brasil, com algo em torno de 5 mil mortes) – uma nova etapa se inicia com a inclusão dos meninos para receberem as doses disponíveis em unidades do SUS (Sistema Único de Saúde).

“O que se tem demonstrado nos outros países, e o Brasil é o sétimo país do mundo que introduz a vacina no sexo masculino, é que, quando se associa um vírus de transmissão sexual a ambos os sexos, e os meninos são imunizados também, cresce muito a proteção das meninas. Além disso elas também são estimuladas a irem se vacinar”, afirmou Kfouri.

O médico ressalta ainda que a vacinação irá prevenir doenças também causadas pelo HPV no sexo masculino, como câncer de pênis, de ânus, de boca e de faringe. Dados da SBIm mostram que 90% dos casos de câncer de ânus são causados pelo HPV. Nos casos de câncer de boca, 75% são consequência do HPV, sendo que, no Brasil, surgem 20 mil casos de câncer de boca por ano. Nos casos de câncer de pênis, o índice por HPV chega a 65%. Além de trabalhar pela prevenção destas doenças, a vacinação em meninos, segundo o médico, irá reduzir significativamente a incidência do vírus de uma maneira geral, já que a população imunizada estará cada vez maior.

“Existe o ganho adicional para a prevenção das meninas, além da prevenção das doenças no sexo masculino. É uma estratégia que está se mostrando mais eficaz quando se associa ambos os sexos em um programa de vacinação”, completou.

Bastante frequente e presente em cerca de 80% dos indivíduos com vida sexual, o HPV é um vírus que tem potencial para causar doenças em ambos os sexos. A vacina distribuída no SUS é quadrivalente, protegendo contra quatro tipos de HPV: o 6, o 11, o 16 e o 18. O vírus tem mais de 100 variações. A grande maioria não traz prejuízos à saúde.

No caso da vacina, os tipos 6 e 11 estão ligados ao surgimento de verrugas genitais em 90% dos casos. Já os 16 e 18 se relacionam a 70% dos casos de câncer de órgãos genitais como colo de útero, vulva, vagina e pênis. Kfouri conta que o HPV é um vírus independente, assim como outros, como o da gripe, da hepatite e Aids. A contaminação pode até ser feita pelo contato de pele, mas a grande maioria dos casos é decorrente de relações sexuais.

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