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Integrantes de facção que queimaram vivo suspeito de estuprar a própria filha são presos em Porto Alegre

Nove suspeitos foram presos durante a operação policial e um mandado de prisão foi cumprido em presídio federal. (Foto: Polícia Civil)

Neste fim de semana foi deflagrada uma operação policial para prender integrantes de uma facção com base na zona leste de Porto Alegre, que estiveram envolvidos em um crime bárbaro. No mês de janeiro, pelo menos 20 pessoas do bairro Bom Jesus receberam uma informação de que um membro da organização teria estuprado a própria filha. Mesmo sem ter convicção do que havia ocorrido, eles fizeram o chamado “tribunal do tráfico” e condenaram o homem a morrer queimado em uma rua da região.
A ação policial foi coordenada pela 1ª Delegacia de Homicídios da cidade e contou com 226 agentes. Foram efetuados 35 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em 52 alvos identificados.

Quem coordenou os criminosos foi uma mulher conhecida como madrinha da região, uma das responsáveis pela facção e que ainda estava em liberdade, por esse motivo a operação recebeu o nome de Matriarcado. Ela é suspeita de gerenciar o tráfico de drogas e comandar os assassinatos de desafetos. A investigada seria responsável por executar as ordens dadas pelo homem apontado pela polícia como o verdadeiro líder do grupo, Marcio Oliveira Chultz, o Alemão Márcio, que cumpre pena de 37 anos em um presídio federal fora do Rio Grande do Sul.

A diretora do Departamento de Homicídios, delegada Vanessa Pitrez, diz que um dos mandados de prisão é justamente para ele, também para a chamada madrinha e para a ex-companheira da vítima. Ela foi quem denunciou o suposto abuso sexual. As outras ordens judiciais são para os homens que torturaram e queimaram o próprio comparsa.

Relembre o caso

No dia 13 de janeiro deste ano, a ex-mulher do homem executado procurou a traficante conhecida como madrinha para denunciar que o marido estuprou a filha de 12 anos do casal. No entanto, o que foi notado na investigação é que no mesmo horário que em traficantes estavam retirando o homem de casa, em meio a socos e pontapés, para levar ao chamado “tribunal do tráfico”, a ex-companheira dele estava fazendo registro de abuso sexual em uma delegacia de polícia. O titular da 1ª Delegacia de Homicídios, delegado Guilherme Gerhardt, diz que os investigados seguiram um código de conduta próprio e eles mesmos julgaram a vítima em meio a uma sessão de tortura.

Em plena luz do dia, o homem foi jogado de um carro na Rua José Albano Volkmer, no bairro Jardim do Salso, na mesma região do bairro Bom Jesus, e, sem conseguir caminhar, já muito machucado, pedia ajuda para várias pessoas. Em um ponto distante cerca de 100 metros do local, um matagal, havia pessoas caminhando e crianças brincando nas proximidades de uma praça. Enquanto isso, os criminosos juntavam pneus e paus para carregar a vítima. Ao ser levado para o matagal, com muito lixo acumulado no entorno, o homem teve o corpo incendiado e, em seguida, os traficantes saíram do local.

Reprodução de imagem de câmera de segurança. (Foto: Polícia Civil)

Quatro minutos depois, as chamas não acenderam o suficiente e o homem continuava a pedir socorro. Em vez disso, os suspeitos — alguns deles cobriram o rosto com roupas ao perceberem que havia uma câmera de segurança na região — voltaram a se reunir e carregaram o comparsa até o mesmo local, onde colocaram ele dentro de pneus, o chamado microondas, e fizeram uma grande fogueira.

O delegado também apura que, por trás, da denúncia de abuso sexual como motivação para o crime, os traficantes também teriam aproveitado o fato para executar a vítima devido a uma dívida com a quadrilha.

As infrações apuradas nesta investigação são homicídio triplamente qualificado, organização criminosa, tortura e corrupção de menores. A polícia lembra que a maioria dos moradores geralmente não toma alguma atitude para também não ser executada. No entanto, a investigação iniciou a partir de uma denúncia anônima. Depois de depoimentos e de técnicas de apuração, os agentes da 1ª Delegacia de Homicídios descobriram os mandantes da tortura e do assassinato e, com o auxílio das imagens, identificaram todos os envolvidos.

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