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Juiz decreta a prisão preventiva do ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro por tempo indeterminado

Nuzman foi preso em 5 de outubro. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O juiz Marcelo Bretas converteu nesta segunda-feira (9) a prisão temporária do presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Carlos Arthur Nuzman, em preventiva, o que torna sua saída da cadeia sem prazo definido. Na mesma decisão, o magistrado renovou a prisão temporária de Leonardo Gryner.

Bretas entendeu que ambos ainda podem interferir nas investigações sobre a suposta compra de votos na eleição do COI (Comitê Olímpico Internacional) que escolheu o Rio como sede da Olimpíada de 2016.

O caso de Nuzman foi considerado mais grave em razão do e-mail em que o dirigente determina o pagamento R$ 5,5 milhões com recursos do comitê organizador da Rio-16 a um escritório de advocacia para sua defesa criminal.

“O investigado ocupa a presidência do COB há mais de 20 anos, exercendo grande poder e influência sobre seus integrantes, provavelmente, a maioria lá colocada por ele. Tal influência ficou clara com a situação anteriormente exposta em que bastou um e-mail de Nuzman para efetivar o pagamento de R$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais) para a prestação de serviços advocatícios”, escreveu Bretas.

Embora o e-mail indique emissão de nota fiscal para o serviço e aprovação para o pagamento, a assessoria do Comitê Rio-16 afirma que o pagamento não foi feito. Segundo o órgão, houve veto do Conselho Diretor, que determinou o cancelamento da nota fiscal.

O comitê organizador da Rio-2016 acumula mais de R$ 110 milhões em dívidas fornecedores. A prisão encerrou as negociações do COI para ajudar na quitação dos débitos.

Gryner teve a prisão temporária renovada porque a Polícia Federal ainda não conseguiu acessar o e-mail da ex-secretária de Nuzman, Maria Celeste, para quem o senegalês Papa Massata Diack enviou mensagens cobrando a suposta propina. O magistrado entendeu que até a disponibilização dessas mensagens, há risco à investigação.

A defesa de Nuzman não se pronunciou até a publicação desta nota.

Os advogados de Gryner afirmaram, em petição à Justiça Federal, que seu cliente já se desligou dos “comitês relacionados à Olimpíada Rio-2016, não havendo, portanto, qualquer relação atual com o COB”.

“Assim, não há como afirmar que ele possui qualquer ingerência sobre as contas de e-mail”, diz a petição.

Loterias

A legislação permite ao comitê olímpico destinar parte da verba carimbada para remunerar os presidentes das confederações filiadas com salário.

Cada dirigente de entidade recebe R$ 22 mil, valor que pode ser dividido com outros diretores. Em um ano, o valor salarial pode chegar ao total de R$ 264 mil.

As confederações formam o principal núcleo de sustentação de Nuzman e o elegem nos pleitos da presidência do COB, a cada quatro anos. O pagamento é classificado por opositores como uma espécie de “mensalinho” para o cartola agradar seus aliados.

No entanto, essa decisão de remunerar ou não os dirigentes cabe a cada confederação, que pode aplicar esse valor em projetos esportivos.

Durval Balen, presidente da confederação de tiro esportivo, disse que abriu mão da remuneração para repassá-la à sua entidade.

“Abri mão desta remuneração à minha pessoa, fazendo com que tais recursos fossem agregados aos valores dos repasses feitos para a CBTE”, afirmou.

Outros dirigentes consultados pela reportagem também disseram que não ficam com o “mensalinho”. Da mesma forma, há quem não abra mão da remuneração. Questionado na sexta (6), o COB não informou quantos cartolas são beneficiados.

Dirigentes também recebem valores de diária do COB durante eventos internacionais, como Jogos Olímpicos e Pan-Americanos. Eles ganham até mesmo quando da Olimpíada de 2016, realizada no Rio.

As confederações são maioria no colégio eleitoral do comitê olímpico nacional. Na última eleição, 30 representantes de confederações, três membros natos do COB -Nuzman, entre eles- e o representante dos atletas, o ex-jogador de vôlei de praia Emanuel Rego, votaram.

Nuzman está à frente do comitê desde 1995, e foi eleito em outubro de 2016 para seu sexto mandato. A administração se encerraria em 2020.

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