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Lava-Jato acaba com dinastias políticas do “rouba, mas faz”

Lava-Jato (Foto: AG)

Ao tornar pública a autorização para que sejam investigados integrantes de praticamente todos os grandes partidos do Brasil, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, elaborou esta semana uma lista inédita, onde figuram, entre os 108 alvos dos pedidos de abertura de inquérito da Procuradoria-Geral da República, ministros, governadores e caciques de vários partidos. Nomes que formaram dinastias na política brasileira, ao velho estilo do “rouba, mas faz”.

Três anos da Lava-Jato

Em março, no último dia 17, a Operação Lava-Jato completou três anos. Começou investigando lavagem de dinheiro em Curitiba (PR) e se transformou num marco da Justiça brasileira, atingindo o mundo político e empresarial. Numa avaliação dos procuradores, os acordos de cooperação internacional foram tão importantes quanto as delações premiadas.

Soma-se a isso as cooperações internacionais que também ajudaram a trazer de volta foragidos e parte do dinheiro que foi desviado com as fraudes. De acordo com os procuradores, de um total de R$ 756 milhões em processo de repatriação, R$ 594 milhões já foram repatriados em três anos de Lava-Jato.

Fachin mirou nos poderosos

Relator da Lava-Jato no STF, Luiz Edson Fachin autorizou a investigação contra oito dos 27 ministros. Doze governadores estão na lista. Desses, porém, apenas três tiveram o caso encaminhado ao STF, pois estão no mesmo inquérito de autoridades com prerrogativa de serem investigadas pela Suprema Corte. São eles: Renan Filho (PMDB), de Alagoas; Robinson Faria (PSD), do Rio Grande do Norte; e Tião Viana (PT), do Acre.

Presidentes de partidos

Os presidentes nacionais de pelo menos quatro legendas também estão envolvidos: do PSDB, Aécio Neves; do PMDB, Romero Jucá; do DEM, José Agripino Maia; e do PDT, Carlos Lupi, que não tem foro privilegiado e responderá na Justiça comum. O ex-procurador-geral do Estado do Maranhão Ulisses de Sousa também será investigado, assim como o ex-prefeito do Rio de Janeiro e pai do presidente da Câmara, César Maia.

Delator diz que “apostou” em Maria do Rosário

Alexandrino Alencar, o novo “garganta profunda” na Lava-Jato, detalha na delação premiada as razões que levaram a repassar dinheiro para a deputada federal Maria do Rosário, do PT: “O dinheiro foi pelo potencial de liderança, e fui procurado por ela em Porto Alegre. O valor saiu pelo setor de Operações Estruturadas. Ela confirmou o potencial ao ser nomeada ministra de Direitos Humanos”.

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