Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019

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Capa – Caderno 1 O Levante do Gueto de Varsóvia contra Hitler faz 75 anos

Memorial aos resistentes do Gueto de Varsóvia diante do Museu POLIN. (Foto: Reprodução)

Um dos episódios mais dramáticos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Levante do Gueto de Varsóvia foi um movimento de resistência dos judeus que haviam sido confinados em uma área na capital da Polônia, após a invasão do país pelo exército nazista de Adolf Hitler, em 1º de setembro de 1939. Mesmo maltrapilhos e depauperados por anos de maus-tratos, homens, mulheres e crianças enfrentaram as poderosas forças alemãs, numa revolta que deixou milhares de judeus mortos mas que abalou, mesmo que momentaneamente, o regime opressor fascista.

Em 7 de maio de 1943, no auge das tensões da Segunda Guerra, O Globo publicava, em sua primeira página, o título da chamada sobre o Levante do Gueto de Varsóvia: “Revoltam-se os judeus na Polônia”. E noticiava: “Cansados das crueldades da Gestapo os israelitas pegaram em armas e lutam contra os alemães nas ruas de Varsovia”. Na reportagem, o jornal destacava ainda a participação de rabinos e até de mulheres no levante, iniciado numa Quinta-Feira Santa após a condenação à morte de milhares de judeus que viviam no gueto.

Quase um ano após a ocupação da Polônia, os nazistas iniciaram a construção de um muro em Varsóvia, com o objetivo de segregar os judeus do restante da população. Cerca de 380 mil judeus, ou 30% da população da cidade, tiveram seu deslocamento restringido e passaram a viver em apenas 2,4% de seu território. Também eram obrigados a usar uma braçadeira com a Estrela de Davi, para diferenciá-los dos cristãos.

Pouco tempo depois, em 15 de novembro de 1940, as portas do gueto foram fechadas, isolando seus moradores do resto do mundo, conforme O Globo lembrou em reportagem de 21 de abril de 1965. Esta ação jogava por terra as promessas iniciais do comandante militar da região, general Johannes Blaskovitz, que afirmara que aquele seria um ambiente de ordem e paz e que os judeus não sofreriam qualquer perseguição dos nazistas.

Na verdade, o Gueto de Varsóvia tornou-se um entreposto para as deportações aos chamados “campos de trabalho”, os campos de concentração para onde os judeus eram levados para morrer em câmaras de gás, no plano nazista de extermínio conhecido como “solução final”. A política perversa dos nazistas proibia assistência médica e passou a restringir as cotas de alimentos por pessoa a cerca de 184 calorias por dia, enquanto o consumo médio de um adulto oscila entre 1.500 e 2.500 calorias.

À medida que morriam de fome, doenças (muitas delas disseminadas pelos próprios nazistas), fuzilamentos ou eram deportados, o gueto tinha seus limites reduzidos. No início de 1943, cerca de 300 mil judeus haviam sido levados para o campo de Treblinka, restando entre 50 mil e 70 mil pessoas no gueto.

Com a alta concentração de judeus estrangeiros no lugar, as informações circulavam rapidamente, e o nível de consciência destes aumentavam, deixando cada vez mais evidente a real intenção dos alemães, como mostrou o jornal na edição de 22 de abril de 1971. Os judeus confinados começaram, assim, a preparar uma rebelião que iria eclodir em 21 de janeiro de 1943, na Rua Niska. Protegido em trincheiras e armado com granadas de mão, pistolas, pedras e ácidos, um pequeno grupo atacou e matou 12 soldados.

Mesmo vencidos com facilidade pelas forças nazistas, formadas por um destacamento da SS, além de grande quantidade de guardas alemães, letões e lituanos, os judeus se fortaleceram política e moralmente. Criaram a Organização Judaica de Combate (ZOB) e a União Militar Judaica (ZZW) e planejaram uma segunda e mais organizada investida, em que cada homem, mulher e até mesmo criança tinha funções específicas, sob a liderança de Mordechai Anielewicz.

Eleito comandante-em-chefe da Liga Combatente Judaica, após várias ações de resistência na Polônia, como a criação de células armadas de combate aos alemães, Anielewicz infiltrou-se no Gueto de Varsóvia, onde passou a organizar o levante. Durante os meses que antecederam o combate decisivo, os judeus cavaram túneis interligados ao sistema de esgoto e água da capital polonesa, que os levaria a uma provável zona de fuga segura.

Na noite de 19 de abril de 1943, munidos de poucas armas, teve início o levante. Durante a revolta, que durou quase um mês, cerca de 13 mil judeus foram mortos. Os 56.885 remanescentes foram mandados para campos de extermínio. Em 16 de maio de 1943, o general da SS Jurgen Stroop, responsável pela ação, telegrafou a Heinrich Himmler, chefe da Gestapo, em Berlim, anunciando que o bairro residencial judeu deixara de existir. Para comemorar o feito, Himmler solicitou a dinamitação da grande sinagoga da Rua Tromacki.

O Levante do Gueto de Varsóvia ganhou uma aura que abalou, mesmo que momentaneamente, o poderio bélico e o orgulho alemães, numa luta corajosa contra a opressão e pela liberdade. Ainda que esta resistência lhes custasse a vida, como a de Anielewicz, que morreu durante a revolta, em 8 de maio de 1943.

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