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Líder caminhoneiro promete “tumulto do Oiapoque ao Chuí” em defesa do governo

Há um ano, a greve dos caminhoneiros paralisou o País. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Dos diversos grupos que pretendem participar das manifestações em defesa do governo de Jair Bolsonaro no domingo (26), os caminhoneiros são, de longe, os mais exaltados. O movimento, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, está dividido. Mas a parcela que mantém apoio ao presidente usa termos assustadores, que incluem fechamento do Congresso e do Supremo.

“Estamos aí com uma gangue, o câncer do Brasil chamado Congresso Nacional, engessando, impedindo o presidente de trabalhar”, disse o líder caminhoneiro José Raymundo Miranda, representante da ANTB (Associação Nacional de Transporte do Brasil) em Minas Gerais.

Miranda está em Brasília desde o início desta semana para organizar uma manifestação em frente à Praça dos Três Poderes. Em mensagem de áudio distribuída, segundo ele, para 55 grupos de WhatsApp, reunindo 6.550 pessoas, o líder caminhoneiro fala em fazer um cerco ao Congresso com os “cavalinhos”, como são chamadas as cabines dos veículos sem a caçamba.

“O ideal é todos os caminhoneiros partirem para Brasília, fazerem um cerco. Quero ver se eles conseguem guinchar um monte de carro desses. Fechar aquele Congresso, rodear e sitiar aquele povo ali dentro”, afirma Miranda no áudio.

Depois, Miranda baixou um pouco o tom e disse que a ideia de fazer um cerco ao Congresso estava descartada. Previu, contudo, manifestações por todo o País. “Vamos ter tumulto do Oiapoque ao Chuí”, disse.

Uma das principais ações previstas, segundo ele, ocorrerá em São Paulo, com um buzinaço de caminhoneiros. Alguns trarão seus “cavalinhos” desengatados de lugares como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

Os caminhoneiros têm pautas específicas, como o valor da tabela do frete, o preço do diesel e a remoção, prometida por Bolsonaro, de radares de velocidade nas rodovias.

Também dividem com outros movimentos a agenda mais geral das manifestações, como a defesa de pontos como a reforma da Previdência e do pacote do ministro Sérgio Moro de combate ao crime e à corrupção.

Nesta quinta (23), líderes caminhoneiros se reuniram em Brasília com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, para tratar das pautas e do apoio ao presidente. Os acenos feitos por Bolsonaro à categoria em abril, quando interveio em uma decisão da Petrobras de aumentar o diesel, funcionaram.

Os caminhoneiros, cujos protestos paralisaram o País há um ano, apoiaram maciçamente Bolsonaro na campanha eleitoral. Ao menos uma parte considerável dessa relação com o governo se mantém inalterada, como mostram mensagens que estão circulando em grupos da categoria.

 

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