Home > Notícias > Brasil > A Polícia Federal vai fazer uma varredura em gabinetes e telefones de ministros do Supremo

Lideranças acreditam que a mobilização popular não dará resultado e que o presidente Michel Temer deverá ir até o fim do seu mandato

Tempo de mandato de Temer vai correndo. (Foto: Divulgação)

Unidos em defesa de eleições diretas antecipadas, representantes da oposição admitiram na semana passada que veem a continuidade de Michel Temer na presidência até o fim do mandato como cenário mais provável.

Durante encontro da UNE (União Nacional dos Estudantes), do qual participaram lideranças do PT, PDT, PSOL e PCdoB, Ciro Gomes, pré-candidato pedetista ao Planalto, foi o mais direto.

“É muito improvável que o Michel Temer caia”, disse ele para frustração de um auditório lotado de universitários de movimentos ligados à esquerda e que pregam o Fora Temer e Diretas já. Depois, a jornalistas, explicou sua previsão: “Porque ele hoje representa organicamente o centro do poder real no Brasil. Ele está fazendo o que pode e o que não pode [para se segurar no cargo]”.

A declaração foi feita durante um dos vários debates promovidos pela UNE e realizados no campus da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em Belo Horizonte. A entidade escolheu ontem sua nova presidência, mas a apuração não havia terminado até o fechamento desta edição.

Um petista veterano, que conhece bem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse ao Valor que também considera difícil a realização de eleições antes de outubro de 2018. A razão, diz, é simples: medo de boa parte dos parlamentares já encalacrados com a Lava-Jato de que com um novo governo, eleito pelo voto direto, sua situação possa ficar ainda mais incerta. O país só terá eleições diretas antecipadas se o Congresso aprovar uma alteração na Constituição.

Partidos de esquerda e movimentos sociais veem nas ruas arma importante em prol das diretas. Mas quem está na ponta, participando de manifestações por eleições e contra reformas, vê Brasília dar de ombros. “Eles não escutam, tem greve geral, protestos, e eles não escutam, pisam no acelerador [na agenda de interesse do governo], disse ao Valor o coordenador do Movimento dos Trabalhadores de Sem Teto, Guilherme Boulos, que também esteve no evento da UNE. “As pessoas falam já fomos dez vezes a protestos e os caras continuam”, afirmou ele.

Aposta mais certeira da oposição parece ser o pedido de investigação contra Temer acerca de suspeitas de corrupção que deve ser apresentado pela Procuradoria Geral da República. Se a Câmara aprová-lo, Temer é afastado. Pelo roteiro atual, uma eventual eleição seria indireta, com parlamentares elegendo um presidente com mandato tampão até 31 de dezembro de 2018.

Ontem, na posse do novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo ( SP), Lula disse que “a desgraça tomou conta desse País” desde que o presidente Michel Temer assumiu o poder após o impeachment da expresidente Dilma Rousseff. Lula fez o ataque direto a Temer um dia após a nota divulgada pelo presidente, em que este rebateu a entrevista dada pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, afirmando que ele estrategicamente teria ocultou a suposta relação que teria desenvolvido em governos passados. (AG)

Comentários