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Líderes do PT defendem que o partido aproveite o período do Mundial para avaliar cenários sem Lula nas eleições de outubro

O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Setores influentes do PT têm defendido em conversas internas que o partido aproveite o período de relativa tranquilidade política durante o Mundial para fazer pesquisas e sondar cenários para o caso de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser impedido de disputar as eleições.

Condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), Lula cumpre pena em Curitiba (PR) e deve ser barrado pela Lei da Ficha Limpa. O petista lidera todas pesquisas de intenção de votos.

Os defensores das pesquisas têm tomado o cuidado de dizer que o objetivo é apenas preparar o partido para o caso de Lula ser barrado e em hipótese alguma representaria algum tipo de questionamento à estratégia petista de manter a candidatura do ex-presidente até o fim. O argumento é saber qual é o perfil preferido pelos eleitores, testar nomes e a capacidade de transferência de votos do petista.

Apesar do esforço da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de interditar o debate, as conversas sobre estratégias sem Lula na disputa eleitoral têm sido inevitáveis. Na segunda-feira (11), o tema veio à tona em reunião de uma espécie de conselho político informal criado por Gleisi. Integram o grupo membros da executiva do PT, ex-ministros, como Franklin Martins, Fernando Haddad, Aloizio Mercadante e Paulo Vannuchi, e petistas históricos, como Rui Falcão e José Genoino.

Em conversas reservadas, vários deles admitem que a candidatura de Lula é um ativo político precioso, mas inviável do ponto de vista legal e, por isso, o PT precisa sondar cenários e, no tempo certo, iniciar o processo de substituição.

Vice

Um dos temas da reunião foi a escolha do vice na chapa petista. Na semana passada, Lula disse a governadores que deseja um vice de fora do PT. Com isso, o ex-presidente barrou o movimento de governadores petistas que defendiam um vice do partido, que, se confirmado o impedimento de Lula, assumiria a cabeça de chapa.

O plano do ex-presidente, no entanto, esbarra nos nomes disponíveis. Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, é o nome dos sonhos, mas está filiado ao PR, com aval do ex-presidente. Setores do PR apoiam a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), e o senador Magno Malta (PR-ES) chegou a ser sondado para vice.

Lula recusou acordo

No ato de lançamento da candidatura de Lula à Presidência da República em Contagem (MG), Haddad, o coordenador do programa de governo do PT, disse que o ex-presidente foi sondado sobre um possível acordo: ele deixaria a prisão caso aceitasse não concorrer nas eleições de 2018.

Acenaram para o Lula com um acordo”, disse Haddad. “Abre mão de sua candidatura que você sai da cadeia, que a gente liberta você”. Lula, narrou Haddad, disse não, e acrescentou: “Me apresentem uma prova [de que agi de forma corrupta] que eu abro mão da minha candidatura”.

Haddad, que tem sido apontado em pesquisas eleitorais como possível substituto de Lula caso o ex-presidente tenha sua candidatura barrada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não apresentou mais detalhes sobre o suposto acordo, sem relevar quem teria proposto isso.

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