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Lula acertou o pagamento de propina em uma reunião com o então presidente da França Nicolas Sarkozy, afirma Palocci

Segundo o ex-ministro, um encontro entre Lula e Sarkozy (D), em 2009, varou a madrugada. (Foto: Wikipedia/Divulgação)

O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil) disse nesta segunda-feira (18) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acertou o pagamento de propinas para a compra de helicópteros e para a construção de submarinos nucleares em uma reunião com o então presidente francês Nicolas Sarkozy, em 2009.

Segundo o ex-ministro, o encontro se deu em 7 de setembro daquele ano, numa visita de Sarkozy ao Brasil, e varou a madrugada. Na ocasião, os dois países selaram um acordo para a aquisição desses equipamentos para as Forças Armadas. Além dos submarinos e dos helicópteros, estava prevista a aquisição de caças franceses, o que não se concretizou, pois o governo Lula optou, mais adiante, por fechar contrato com a sueca Saab.

“Naquela oportunidade, quando foi feito um acordo do conjunto da compra, ali se tratou de ilícitos, sim, que se consubstanciaram em pagamento de propinas no projeto do submarino, no projeto dos helicópteros”, declarou Palocci. O ex-ministro afirmou que os recursos foram usados para financiar campanhas do PT. Ele não deu detalhes sobre o suposto esquema, pois as informações constam de seu acordo de delação premiada com a PF (Polícia Federal), cujo conteúdo é sigiloso.

Nesta segunda-feira, Palocci depôs como testemunha de acusação de ação penal em que Lula e o filho caçula, Luís Cláudio, são acusados de tráfico de influência no governo para viabilizar incentivos fiscais para montadoras de veículos e também a assinatura do contrato dos caças suecos. Por determinação da Justiça, ele deveria se ater a informações relativas ao processo.

Também foi ouvido o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. Ele negou acerto de propina para a compra dos equipamentos militares. Disse que estava presente na reunião daquele 7 de setembro. “Foi tratado de preço. Não houve absolutamente nenhuma pretensão de propina ou coisa do tipo”, declarou.

Outro lado 

A defesa do ex-presidente Lula afirmou, em nota, que o depoimento de Palocci “só serviu para deixar ainda mais claro que ele negociou generosos benefícios com autoridades em troca de múltiplas e esfarrapadas acusações”.

Segundo a defesa, quando confrontado pelo advogado Cristiano Zanin, Palocci admitiu que suas afirmações não foram presenciadas ou testemunhadas por terceiros, o que evidenciaria “o caráter imprestável de seu depoimento”. “Durante a ação penal, 30 testemunhas prestaram depoimento e todas elas, inclusive aquelas arroladas pelo MPF, demonstraram que Lula não cometeu qualquer ato ilícito.

Dentre as pessoas ouvidas estão os dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, ex-ministros de Estado, membros das Forças Armadas e servidores da Presidência da República. A lisura da conduta de Lula foi confirmada também nesta data pelo depoimento prestado pelo ex-ministro Nelson Jobim”, diz o comunicado.

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