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Lula beneficiou montadoras em troca de dinheiro para o filho, disse o ex-ministro Antonio Palocci

Palocci (D) foi ministro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em depoimento à Justiça Federal nesta quinta-feira (06), Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o ex-presidente renovou uma medida provisória em troca de benefícios para o filho.

A compra de medidas provisórias é investigada na Operação Zelotes, que também apura irregularidades em decisões do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que julga processos das empresas envolvendo questões tributárias.

Palocci disse que recebeu o filho do ex-presidente em seu escritório de consultoria entre o final de 2013 e o início de 2014. Segundo o ex-ministro, ele pediu apoio para fechar o orçamento de um evento que organizaria em 2014. O valor pedido seria em torno de R$ 2 milhões e R$ 3 milhões. “Tenho testemunhas, registro de telefonema dele, agendas”, afirmou o ex-ministro.

“Eu fui falar com o ex-presidente Lula para ver se ele me autorizava a fazer isso. Sempre que alguém pedia em nome do ex-presidente Lula eu consultava o ex-presidente Lula. Aí o presidente Lula me falou que não precisa atender o Luís Claudio, porque ele já tinha resolvido esse problema com o Mauro Marcondes.”

“Ai eu perguntei, inclusive: Mas então porque ele me procurou? Aí o ex-presidente disse: porque ele não sabe que eu fiz isso. Mas pode esquecer que eu já resolvi o problema. Aí ele me contou que foi através da renovação da 471, que foi feita através de uma emenda parlamentar, na Câmara dos Deputados, que renovou os benefícios da Kaowa e da Mitsibushi a partir daquele ano. E que ele tinha pedido uma contribuição, para que o Mauro Marcondes pedisse uma contribuição às empresas, e essa contribuição seria transferida ao filho dele.”

Operação Zelotes

Segundo a denúncia do MPF (Ministério Público Federal), Lula editou a medida provisória para favorecer empresas do setor automotivo em troca de recebimento de propina. Ele é réu por corrupção passiva nessa ação penal desde setembro de 2017. Também são réus o ex-ministro e chefe do gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, e outras cinco pessoas. A defesa do ex-presidente afirmou que o petista jamais praticou qualquer ato ilícito e que é alvo de perseguição política.

Julgamento

A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) julgou na terça-feira (04) um habeas corpus movido pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele deixe a prisão em Curitiba (PR), onde está detido há quase oito meses.

Os advogados de Lula argumentam que o ex-juiz federal Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, era suspeito para julgar o petista e pedem a anulação do processo do triplex em Guarujá (SP), causa de sua prisão, assim como de outras duas ações penais abertas por Moro contra ele na Lava-Jato.

No pedido de liberdade, a defesa de Lula enumera o que considera terem sido manifestações de parcialidade do ex-juiz em relação ao ex-presidente. São citados a condução coercitiva do petista, a quebra do sigilo telefônico dele e de familiares e a divulgação dos áudios das ligações, a condenação a nove anos e seis meses de prisão no caso do triplex e a decisão de Moro que barrou a soltura de Lula, quando o desembargador federal Rogério Favreto decidiu libertá-lo, em julho de 2018.

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