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Lula continua a embaralhar os rumos do petismo e dos partidos de esquerda

Antes de se entregar, Lula foi claro em dizer que quem manda no PT é ele. (Foto: Reprodução)

Ao iniciar o cumprimento da sua sentença de prisão, o ex-presidente Lula não foi sozinho para a cadeia. Levou consigo para dentro da cela também, metaforicamente, o comando do PT, que até se transferiu de São Paulo para Curitiba, no Paraná. Com isso, continua a embaralhar os rumos do petismo e dos partidos de esquerda, assim como as discussões para a formação de uma frente com um candidato único – mesmo que a ideia tenha sido defendida pelo ex-ministro Jaques Wagner.

No último discurso antes de se entregar, Lula foi claro em dizer que quem manda no PT é ele, e assim continuará a ser. Lula idealizou uma estratégia que confunde o destino eleitoral do PT e das esquerdas com a própria sorte. Em seguida à prisão do ex-presidente, o PT, sob o comando da senadora Gleisi Hoffmann (PR), uma aliada incondicional de Lula, passou a empunhar a bandeira do “Lula Livre”, com o discurso de que a democracia está em risco.

Ao mesmo tempo em que continua a travar o debate interno no partido, esse discurso atrai o apoio dos candidatos minoritários da esquerda, como Guilherme Boulos, do PSOL, e Manuela D’Ávila, do PCdoB, mas afasta o PDT de Ciro Gomes e o PSB de Joaquim Barbosa.

Boulos e Manuela estiveram ao lado de Lula no palanque em São Bernardo (SP), protestaram em Curitiba e partiram em viagens com o slogan de “Lula Livre”, com o qual esperam colher apoio popular. Ambos dizem concordar com o PT quanto aos riscos que a prisão de Lula representaria para o pleno funcionamento das instituições brasileiras.

“A luta pela liberdade de Lula é uma questão democrática. Se há setores que querem reduzi-la a um debate eleitoral de candidaturas, não entenderam ainda a gravidade do que está ocorrendo no Brasil”, disse Boulos, em entrevista ao jornal O Globo.

“Lula livre é um posicionamento político”, reforçou a pré-candidata Manuela D’Ávila.

Potencial

PDT e PSB, no entanto, evitam encampar a tese de que Lula seja um preso político. O PDT tem em Ciro Gomes um candidato presidencial com grandes chances de recolher a maior parte do espólio eleitoral de Lula. O PSB também vê grande potencial no ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa. Ambos não querem se confundir com as máculas do PT e de Lula no campo ético.

Apesar de Wagner ter defendido que o PT deve considerar abrir mão de ter candidato próprio, é difícil encontrar no partido quem defenda que a agremiação não tenha a cabeça de chapa.

“O PT não vai deixar de ter um candidato porque isso faz parte de seu processo de recuperação”, sustentou Wagner, um dos fundadores da sigla.

Diante das incertezas do cenário eleitoral, lideranças esquerdistas acreditam que cada um dos cinco partidos (PT, PSOL, PCdoB, PDT e PSB) seguirá com suas candidaturas no primeiro turno, confluindo só no segundo turno para aquela que conseguir chegar lá.

 

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