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Brasil Lula pede juízo ao Congresso em discussão sobre volta da prisão após segunda instância

Para Lula, a elite brasileira conservadora diz que a Constituição é um atraso pois não gostam de mecanismos de proteção e garantias sociais. (Foto: Gibran Mendes/CUT)

Em sua primeira entrevista após sair da prisão, o ex-presidente Lula (PT) pediu nesta quarta-feira (20) que o Congresso tenha juízo ao analisar proposta que pode alterar a Constituição para permitir o cumprimento de pena após condenação em segunda instância. A mudança significaria a volta do petista à cadeia.

“Espero que o Congresso Nacional tenha juízo. Constituição não é um manuscrito que pode jogar fora toda hora”, afirmou o ex-presidente. Para Lula, a elite brasileira conservadora diz que a Constituição é um atraso pois não gostam de mecanismos de proteção e garantias sociais.

O petista foi solto no último dia 8, após julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) que, no dia anterior, voltou a barrar a prisão de condenados antes de esgotados todos os recursos.

Após a decisão da corte, um grupo de deputados e senadores pressiona para o Congresso aprovar uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que permita a prisão já após uma condenação em segunda instância. Diante da dificuldade de se mudar a Constituição, o Senado costura com o ministro da Justiça, Sergio Moro, uma alteração no Código de Processo Penal.

Lula concedeu a entrevista ao canal Nocaute, do jornalista e escritor Fernando Morais. Ao abrir a conversa, Morais afirmou que seu veículo ajudou na briga para que Lula fosse solto. O ex-presidente afirmou que o que mais deseja é a anulação do processo do triplex de Guarujá (SP), e voltou a fazer críticas ao ex-juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava-Jato, e Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da operação em Curitiba. “Quem montou quadrilha nesse país foi Moro e Dallagnol”, disse o petista.

O ex-presidente chamou Deltan de “moleque irresponsável e desaforado”. A defesa de Lula busca a anulação do processo por considerar que o julgamento de Moro foi parcial. Conversas dos procuradores da Lava-Jato reveladas pelo The Intercept Brasil e publicadas também pela Folha mostram que Moro orientou os acusadores e mantinha próxima relação com eles.

Lula pediu que a “Suprema Corte tenha sabedoria” ao decidir sobre a anulação. “Se eu tiver culpa, provem e me punam. Agora se provar que Moro fez sacanagem, má-fé, foi mal caráter, que ele seja punido, pelo bem da instituição”, disse. “Para que o País volte a normalidade, meu processo tem que ser anulado e os responsáveis presos”, completou.

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