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Lula pediu agilidade na liberação de dinheiro do BNDES para a JBS/Friboi, disse um investigado como operador do ex-ministro Guido Mantega

Lula está preso na superintendência da PF em Curitiba desde 7 de abril. (Foto: Agência Brasil)

Investigado como intermediário de propina entre o empresário Joesley Batista e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o operador Victor Sandri prestou depoimento à PF (Polícia Federal) pela primeira vez sobre o assunto e afirmou que o ex-presidente Lula teria prometido, durante uma reunião com Joesley, ser o “garoto-propaganda” da JBS. Sandri disse ainda que Lula teria solicitado agilidade na liberação de recursos do BNDES para a empresa e admitiu que levava os pleitos da companhia para Mantega quando ele presidiu o BNDES (2004-2006) e quando era ministro da Fazenda, a partir de 2006. As informações são do jornal O Globo.

Segundo o operador, a JBS pediu uma reunião com Lula no final de 2005 para apresentar seus planos de internacionalização. O encontro teve a presença de Mantega, responsável por agendar a reunião, de Joesley, de José Batista Sobrinho, fundador da JBS, e do próprio Sandri. “Fora explanado o projeto de expansão e internacionalização da empresa, e o presidente Lula se mostrou muito entusiasmado e afirmou categoricamente que seria o garoto-propaganda da empresa e orientou expressamente Guido Mantega para agilizar e acompanhar o projeto”, afirmou Sandri.

A PF tomou o depoimento do operador no último dia 26 de abril na condição de investigado na Operação Bullish – que apura suspeitas de corrupção da JBS no BNDES em troca de receber aportes bilionários do banco. O depoimento está sob sigilo. De 2005 a 2014, o banco de fomento injetou cerca de R$ 10 bilhões na empresa dos irmãos Batista. O Tribunal de Contas da União aponta irregularidades nos aportes, que foram usados para adquirir novas empresas e tornaram o BNDES um dos acionistas da JBS.

Lula já havia sido citado nas investigações da Bullish por conta da delação de Joesley. Nela, o empresário afirmou que manteve um total de US$ 150 milhões em uma conta no exterior referentes a propina para o petista e sua sucessora, Dilma Rousseff. Os pagamentos aconteceriam em função dos recursos captados no BNDES. Esse dinheiro na conta no exterior, segundo Joesley, seria descontado à medida que a empresa fazia doações eleitorais para o PT.

Em diversos momentos do seu depoimento, Victor Sandri citou as pressões exercidas sobre o corpo técnico do BNDES para liberar os aportes à JBS. Ele afirmou que se reunia com frequência com Mantega no Ministério da Fazenda para informar sobre o andamento dos projetos da empresa e que o petista lhe perguntava se precisava de alguma ajuda. Sandri “costumava pedir para correr com o projeto”.

O operador confirmou à PF que recebia comissões da JBS por causa dos aportes do BNDES. Ao todo, Sandri recebeu US$ 67 milhões, mas disse que nunca repassou dinheiro a título de propina para Guido Mantega. Afirmou, porém, que usava o nome do ministro para cobrar de Joesley os pagamentos. “Joesley era muito difícil de pagar e não nega que tenha usado o nome de Guido Mantega para pressionar os recebimentos em dia”, afirmou.

A defesa de Lula afirmou que não vai comentar porque não teve acesso ao depoimento e disse que o petista “não praticou qualquer crime, antes, durante ou após ter exercido o cargo de Presidente da República”.

Ouvido pela PF em 29 de maio, Mantega afirmou que nunca recebeu pedido de Joesley para interferir no andamento de análises do BNDES. Disse ainda que os pagamentos recebidos de Sandri no exterior foram declarados e regularizados junto às autoridades e “não têm nenhuma relação com a liberação de financiamentos ou investimentos do BNDES na JBS”. Mantega disse que não sabia que Sandri recebia comissões pelos aportes do BNDES e que não se recorda de ter participado de reunião com Lula e Joesley.

O BNDES afirmou que os aportes investigados foram posteriores à gestão de Mantega e que até o momento “não foram encontradas quaisquer evidências da participação de empregados em atos ilícitos”.

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