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Para combater a sua imagem de fragilidade como candidata, Marina Silva quer repaginar o visual em sua terceira campanha para chegar à presidência

A candidata já assumiu o novo estilo. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Refratária a mudanças de estilo, Marina Silva passou a contar neste ano com a ajuda de uma consultora de imagem e moda para ajudá-la na escolha de roupas para a campanha. O objetivo é driblar a imagem de frágil, pecha que a perseguiu durante a eleição de 2014, em meio à saraivada de ataques dos adversários.

Conhecida pelas roupas em tons neutros e pelo onipresente coque, a candidata pela Rede quer repaginar o visual em sua terceira campanha para tentar chegar à Presidência.

Em um dos debates, por exemplo, seu então concorrente e atual vice, Eduardo Jorge, a chamou de “magrinha”.

A candidata, à época no PSB, respondeu em vídeo. “O pessoal diz: ‘A Marina é magrinha, é fraquinha. Sou magrinha, mas eu venho da Amazônia, e lá tem uma árvore chamada biorana. Experimenta bater com o machado: sai faísca, e ela não verga”, afirmou.

Neste ano, para evitar que a imagem cole novamente, a brasiliense Clarice Dewes tem apostado em peças largas, que deem volume à silhueta de Marina. “Acho interessante você ter volume nas peças, estrutura, o ombro marcado”, diz. “Ela é muito ‘mignonzinha’, pode passar uma imagem de fragilidade. Assim você consegue driblar isso.”

Um exemplo foi o look montado para a convenção da Rede, em Brasília, em 4 de agosto. Marina apareceu com uma pantalona escura e uma camisa branca, sem blazer. Terninhos são algo que a consultora diz evitar. “Um tailleur ou blazer acaba ficando engessado”, diz Dewes, que afirma buscar dar “jovialidade” à candidata.

Em seu site, a consultora lista pacotes de serviços que vão até R$ 6.890. No caso de Marina, porém, diz fazer parte da rede de voluntários.

Ela conta que foi apresentada à ex-senadora por uma conhecida e que ajudava em eventos específicos. Desde julho, passou a assessorá-la.

Fã assumida de cores sóbrias, Marina surpreendeu ao aparecer em uma de suas transmissões no Facebook usando uma blusa com um tom vibrante de roxo. A mudança veio a partir de um estudo feito por Dewes para entender quais cores combinam melhor com o tom de pele da ex-senadora.

“A gente não usa muita maquiagem, então assim ajuda a iluminar o rosto”, explica ela, segundo quem o azul e o roxo são as cores que melhor funcionam com a ex-senadora. Elas serão usadas em pequena escala, porém. O branco, bastante frequente no guarda-roupa de 2014, está de volta neste ano.

Segundo a consultora a palavra final sobre as roupas é da candidata. “Ela tinha muito medo de ficar descaracterizada”, diz Dewes.

As peças são compradas, não alugadas, em lojas como Fernanda Yamamoto e Satiko Isabel. A campanha não usa marcas de fast fashion (de grandes redes de lojas).

“A gente tem esse cuidado por questão de ética. Muitas marcas estão envolvidas com trabalho escravo”, afirma.

Marina escolhe as opções de roupas quando está em São Paulo. Afeita a tecidos naturais, como o linho, leva um ferro na mala para as viagens e passa as peças na cama do hotel. Algumas características conhecidas da ex-senadora não devem abandoná-la nesta campanha: os colares de sementes, feitos por ela, o batom artesanal de beterraba e o indefectível coque.

A maquiagem natural tem explicação médica: alérgica, Marina fica com os lábios inchados com batons comuns.

Já o coque foi alvo até de campanha nas redes sociais durante a última eleição, quando apoiadores da então candidata do PSB criaram a hashtag CoqueTaNaModa.

“Ela não é tão resistente assim a mudar quanto acham”, diz a consultora. Segundo ela, duas questões pesaram na decisão de manter o look conhecido. Em primeiro lugar, justamente a familiaridade do penteado. “É uma marca registrada, mudar poderia gerar um espanto que não seja positivo.”

Uma das raras aparições da candidata sem o penteado foi na última campanha, em 2014, quando, ao declarar apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno, preferiu amarrá-los em um rabo de cavalo, deixando os cachos longos soltos nas costas.

Além disso, a correria — e a falta de dinheiro — da campanha pesou. “Para manter um cabelo solto bonito, precisa de um cabeleireiro sempre”, afirma. Já o coque, dizem assessores, é a própria Marina que arruma todos os dias.

O visual chegou a ser pauta de uma de suas transmissões no Facebook. Ela respondeu a uma eleitora que pedia que cortasse o cabelo: “isso é mesmo decisivo pro seu voto?”, questionou.

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