Últimas Notícias > Colunistas > Fatos históricos do dia 22 de março

O Movimento Brasil Livre representou criminalmente contra a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, por ter participado da posse de Nicolás Maduro

Gleisi disse que o PT não concorda com a "política intervencionista e golpista" incentivada pelos Estados Unidos. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O MBL (Movimento Brasil Livre) representou criminalmente na Procuradoria-Geral da República contra a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. A alegação é que ela teria infringido o Artigo 8 da Lei de Segurança Nacional, que afirma que é crime “entrar em entendimento ou negociação com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, para provocar guerra ou atos de hostilidade contra o Brasil”. A informação é da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

“A postura da Gleisi como presidente do PT e seu alinhamento com o Nicolás Maduro, bem como as críticas ao Grupo de Lima, ao qual o Brasil é signatário, acentuaram a hostilidade do ditador venezuelano ao governo brasileiro”, diz Rubinho Nunes, advogado e coordenador do MBL.

Gleisi diz, via sua assessoria de imprensa, que “um dos problemas dos governos antidemocráticos é esse: qualquer fanático age como se fosse um ditador”.

Justificativa

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, avisou por nota que participaria da posse de Nicolás Maduro. Ela argumentou que o faria para deixar claro que o PT não concorda com a “política intervencionista e golpista” incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários.

“Em qualquer país em que os direitos do povo estiverem ameaçados, por interesses das elites e dos interesses econômicos externos, o PT estará sempre solidário ao povo, aos que mais precisam de apoio. O respeito à soberania dos países e a solidariedade internacional são princípios dos quais não vamos abrir mão”, disse Gleisi.

Reeleito em maio do ano passado, Maduro venceu um pleito boicotado por parte da oposição — outra parte foi impedida de concorrer. A Assembleia Nacional, Parlamento de maioria opositora, declarou que o novo mandato é ilegítimo e que, a partir da posse, Maduro estaria “usurpando a Presidência”.

Por meio de seu chanceler, Ernesto Araújo, o presidente Jair Bolsonaro defende que Maduro deixe o poder e entregue o mandato ao Legislativo que foi eleito em 2015.

Leia, abaixo, a nota de Gleisi Hoffmann na íntegra:

“Estarei em Caracas esta semana participando da posse de Maduro:

1. Para mostrar que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática.

2. Para deixar claro que não concordamos com a política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com a adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários. Bloqueios, sanções e manobras de sabotagem ferem o direito internacional, levando o povo venezuelano a sofrimentos brutais.

3. Porque é inaceitável que se vire as costas ou se tente tirar proveito político quando uma nação enfrenta dificuldades. Trata-se de um país que tem relações diplomáticas e comerciais importantes com o Brasil. Impor castigos ideológicos aos venezuelanos também resultará em graves problemas imigratórios, comerciais e financeiros para os brasileiros.

4. Porque o PT defende, como é próprio da melhor história diplomática de nosso País, o princípio inalienável da autodeterminação dos povos. Nossa Constituição se posiciona pela não-intervenção e a solução pacífica dos conflitos. Os governos liderados por nosso partido sempre foram protagonistas de mediações e negociações para buscar soluções pacíficas e marcadas pelo respeito à autonomia de todas as nações.

5. Porque somos solidários à posição do governo mexicano e de outros Estados latino-americanos que recusaram claramente a posição do chamado Grupo de Lima, abertamente alinhada com a postura belicista da Casa Branca.

6. Porque reconhecemos o voto popular pelo qual Nicolas Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática.

7. Em qualquer país em que os direitos do povo estiverem ameaçados, por interesses das elites e dos interesses econômicos externos, o PT estará sempre solidário ao povo, aos que mais precisam de apoio. O respeito à soberania dos países e a solidariedade internacional são princípios dos quais não vamos abrir mão.

Gleisi Hoffmann, Presidenta do PT”

Deixe seu comentário: