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Médicas, engenheiras, professoras: a alta escolaridade das jogadoras de futebol

Na Seleção Brasileira, o cenário se repete. A zagueira Kathellen estudou na Universidade de Lousiana. (Foto: Reprodução/Instagram)

A visibilidade que a Copa do Mundo da França deu ao futebol feminino também ressaltou o abismo de condições entre homens e mulheres que praticam o esporte. Para elas, o sonho de se tornar uma jogadora já se tornou realidade, mas não é tão colorido quanto o dos homens.

Para sobreviver, elas precisam sonhar com outras profissões e, por isso, na final do Mundial, neste domingo, estavam frente a frente uma advogada e uma economista política. Jackie Groenen, responsável pelo gol que levou a Holanda à decisão da Copa, é formada em direito e teve que conciliar a faculdade com os jogos e treinamentos nos clubes que passou durante esse período.

No Chelsea e no Frankfurt, a meia teve apoio para continuar na graduação, e o clube inglês inclusive pagava as passagens para que ela pudesse voltar ao seu país para assistir às aulas. Do outro lado, o maior nome do futebol dos EUA, Alex Morgan, é formada em economia política pela Universidade da Califórnia. E ela não está sozinha.

Vinte e uma das 23 jogadoras convocadas para defender a seleção americana na França têm ensino superior. Segundo uma pesquisa do FIFPro (Sindicato Internacional de Atletas do Futebol) em parceria com a Universidade de Manchester, metade das atletas concilia algum curso de ensino superior à prática do futebol. O estudo teve a participação de mais de 3.500 jogadoras, e um terço delas disse trabalhar em outra profissão para conseguir se manter.

As atletas estão no período de transição entre simplesmente se sentirem gratas pela sociedade permitir que joguem bola e exigir mais respeito e melhores condições. Enquanto isso não acontece, a maioria delas precisa de uma alternativa para se sustentar. Para muitas, o futebol não traz dinheiro o suficiente. Em vários casos, nenhum.

Ainda segundo o FIFPro, de todas as entrevistadas, 49,5% jogam sem receber salários dos seus clubes, e consequentemente precisam manter outro emprego. Essa é a realidade de pelo menos 30% das jogadoras, e a Copa do Mundo da França reflete esse número.

Em todas as 24 seleções que inicialmente participaram do torneio, é comum encontrar jogadoras com formação e/ou emprego em outras áreas, como é o caso de Elise Bussaglia. A jogadora francesa ensinava em uma escola primária enquanto jogava no PSG em 2011. Ela já disse que retomará a carreira assim que se aposentar do futebol.

A dupla jornada é inevitável em algum momento da carreira de muitas das atletas do Mundial: a jogadora da Jamaica Christina Chang é também controladora de tráfego aéreo no aeroporto internacional de Miami. Claire Emslie e Chloe Arthur, da Escócia, trabalharam juntas num bar enquanto jogavam no Bristol City. A meia da Argentina Lorena Benítez também trabalha no Mercado Central de Buenos Aires, onde tem uma barraca de comida.

Assim como nos EUA, é comum encontrar jogadoras com formação superior em outros países. Essa é uma forma de garantia para o futuro, já que o futebol não é rentável para elas. Celia Jiménez, zagueira da Espanha, por exemplo, é também engenheira aeronáutica. A estrela da seleção italiana, Barbara Bonansea, ganhou o campeonato nacional e a Copa da Itália em 2019 enquanto estudava economia na Universidade de Turim. Sua companheira de equipe, Manuela Giugliano, faz faculdade de educação infantil na área de saúde.

Já Estelle Johnson, de Camarões, tem um MBA em administração. Na Seleção Brasileira, o cenário se repete. A zagueira Kathellen estudou na Universidade de Lousiana e a goleira Aline tem mestrado pela Universidade Central da Flórida. Para quem ainda não conseguiu uma formação, o estudo parece ser a única saída, como é o caso da goleira Bárbara, que disse querer pensar “em outro futuro”.

“Eu pretendo não estar no próximo Mundial, quero entrar na faculdade de medicina, voltar a estudar e trabalhar em outro ramo. Diferentemente dos homens, para as jogadoras, uma carreira de sucesso não significa resolver a vida. Marta disse uma vez que “se jogasse no futebol masculino, não precisaria trabalhar nunca mais”, disse Bárbara.

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