Últimas Notícias > Colunistas > Chamas do desencontro

Mês do Orgulho LGBTI+: o que o Atlas da Violência 2019 pode falar sobre a homofobia no Brasil?

Por Juliano Castello

Pela primeira vez o Atlas da Violência 2019, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, levantou dados referentes à violência contra pessoas LGBTI+ em todo Brasil. A pesquisa se refere aos anos de 2011 até 2017.

Disque 100

O “Disque 100” está sob responsabilidade do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, atualmente chefiado pela polêmica ministra Damares Alves, e é responsável por receber as denúncias de agressão e atos contra a vida ou dignidade de pessoas da comunidade LGBTI+, além de mulheres, crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

De acordo com os dados levantados no Atlas, o número de denúncias obteve seu recorde no ano de 2012 com 3031 ligações. Nos anos seguintes, os números foram diminuindo chegando a 1720 em 2017.

Ocorrências de agressões contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros denunciadas através do serviço do Governo também teve seu pico no ano de 2012 com 783 denúncias. Em 2017, os números baixaram para 423.

Porém, no que diz respeito à homicídios causados por homofobia, quando um individuo não aceita a homossexualidade de outra pessoa, houve aumento nos últimos anos. Segundo o IPEA, os números pularam de 5 casos, em 2011, para 193 em 2017. Nos últimos seis anos de analise do Atlas foi constatado um aumento de 127% na taxa de mortalidade de pessoas LGBTI+.

O Rio Grande do Sul, em 2012, ficou em 5º lugar no número de homicídios contra homossexuais. Foram 200 ocorrências, perdendo apenas para Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo.

De acordo com os pesquisadores do IPEA, os números mais baixos não significam que a violência e o preconceito contra a comunidade LGBTI+ esteja diminuindo, mas que o público vem ganhando mais visibilidade e espaço, e por isso o combate contra atos preconceituosos à pessoas gays tem ganhado mais importância.

Luta perigosa

Ainda faltam muitos dados sobre a situação das pessoas LGBTI+ no Brasil. Os institutos de pesquisa estão começando aos poucos a segmentar o público gay nas pesquisas referentes a violência e situações de vulnerabilidade.

Essa visibilidade só foi possível através de lutas e manifestações por direitos iguais. Mas, o país carrega uma marca triste em seu histórico de lutas sociais. O Brasil é um dos quatro países do mundo que concentram 80% dos casos de assassinato de ativistas relacionados aos Direitos Humanos.

No ano passado, por exemplo, Marielle Franco foi assassinada no Rio de Janeiro. A vereadora negra, lésbica e proveniente da periferia carioca foi morta com pelo menos 4 tiros na cabeça. Seu carro foi atacado por pessoas ligadas à grupos criminosos da cidade. Seu motorista, Anderson Pedro, também foi atingido e acabou morrendo.

Marielle lutava contra o poder das milícias na cidade e por visibilidade de pessoas LGBTI+. As investigações a cerca da morte da vereadora continuam até hoje. Passado mais de um ano do crime, o responsável por ordenar a morte da parlamentar ainda não foi identificado.

Dois acusados pela execução da vereadora foram presos. O policial militar reformado Ronnie Lessa está preso em um presídio de segurança máxima em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Seu amigo, Alexandre Motta de Souza, foi solto hoje, domingo (9), pela Justiça.

De acordo com parecer do Ministério Público, Alexandre demonstrou surpresa ao saber que haviam fuzis nas caixas que estavam em seu apartamento. Segundo Motta, ele estava apenas armazenando uma encomenda para o amigo Lessa. Na casa dele, foram encontrados 117 fuzis desmontados.

 

 

 

Deixe seu comentário: