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Mesmo condenado, Lula não está acabado, diz um analista político norte-americano

Ex-correspondente diz que o líder petista ainda pode voltar ao poder. (Foto: Instituto Lula)

A decisão de não pedir a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a sua condenação por corrupção é um dos pontos mais importantes do processo contra o líder petista. Na visão do analista político norte-americano Brian Winter isso indica que nem tudo está perdido para o líder petista e ele ainda tem chances de se tornar presidente do País.

A condenação veio com uma ponta de esperança para os que defendem Lula, diz Winter em um texto publicado na revista Americas Quarterly. “O aspecto mais marcante da decisão contra Lula foi a admissão do juiz de que ele tem direito a tratamento especial”, avalia. “Isso, mais do que qualquer outro detalhe, sugere que o homem que dominou a política brasileira nos últimos 30 anos ainda pode escapar da cadeia e talvez até retornar como presidente no final de 2018.”

Ex-correspondente internacional no Brasil, Argentina e México, Winter é vice-presidente Conselho das Américas. Ele também já assinou quatro livros sobre o continente, incluindo Por Que o Futebol Importa? (escrito com Pelé) e O Presidente Acidental do Brasil (a quatro mãos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).

De acordo com Winter, ao não pedir a prisão de Lula, Moro “piscou”, ou seja, sinalizou que a Justiça vê o líder petista como um caso especial a ser avaliado, pressuposto que pode ser interpretado como um reconhecimento do poder que Lula ainda tem. “Se houve uma era em que Lula podia ser retratado como um vilão sem ambiguidade em uma batalha do bem contra o mal, ela acabou em meados de 2016, quando a maior parte dos poderosos brasileiros apoiaram Michel Temer”, diz.

Cenário

Em janeiro, Brian Winter havia manifestado preocupação com a crise política no Brasil. Na ocasião, ele concedeu uma entrevista à imprensa paulista, dizendo que vê no cenário nacional várias semelhanças com o que deu espaço para a ascensão do populismo autoritário do polêmico presidente republicano Donald Trump nos Estados Unidos.

Ele frisou, porém, que mantém a esperança de que a crise seja resultado de um amadurecimento do País, mas que é preciso cuidado com os risco de autoritarismo. “Um dos maiores problemas da política brasileira é que as instituições estão dominadas por uma geração que deveria ter deixado o poder e não há jovens lideranças na política nacional”, avaliou na época.

Ainda segundo Winter, que voltou a morar nos Estados Unidos, o Brasil precisa de uma mudança geracional na política: “Essa carência política é a grande diferença do Brasil em relação ao resto do continente. As instituições até funcionam, mas as pessoas que atuam nelas são as mesmas desde as Diretas Já, desde um período em que as instituições existissem ou funcionassem propriamente.”

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