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Caciques políticos seguem com influência em cargos federais nos Estados

Afilhados de antigas lideranças como Eunício Oliveira (E) e Romero Jucá permanecem em chefias regionais de órgãos federais. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Cobrado por parlamentares a nomear apadrinhados para órgãos federais em troca de apoio, o governo Bolsonaro mantém, quase quatro meses após assumir o comando do País, indicados de caciques longevos na política em cargos comissionados nos Estados. Apelidados nos corredores do Congresso como “esqueceram de mim”, afilhados de antigas lideranças como Eunício Oliveira (MDB-CE), Romero Jucá (MDB-RR), José Sarney (MDB-AL) e Garibaldi Alves (MDB-RN) permanecem em chefias regionais de órgãos federais.

Essa sobrevida tem frustrado parlamentares rivais desses grupos, que, ao ver os caciques derrotados nas últimas eleições, criaram expectativas de assumir postos do Executivo federal nos Estados. Nos últimos dias, integrantes da equipe do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) têm afirmado que há vários nomes em “estágio avançado” de avaliação. A nova promessa é que as nomeações indicadas por parlamentares comecem a sair no início do mês que vem. Sobre os indicados por antigos políticos, pessoas próximas a Onyx dizem que “afilhados de presidentes de partido serão considerados com carinho”. Jucá é o atual presidente do MDB.

Superintendências de ministérios, da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), e a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento das Bacias do São Francisco) são órgãos cobiçados, e o governo diz que indicações só serão aceitas se enquadradas nos critérios do governo. “As conversas estão acontecendo na Casa Civil. Já definimos alguns critérios técnicos. Quem quiser indicar pessoas que se enquadram nesses critérios, pode indicar”, disse a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

No Maranhão, o grupo de José Sarney, que inclui sua família e os ex-senadores João Alberto Souza e Edison Lobão, ambos do MDB, mantém indicados em órgãos como a Codevasf, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e os Correios. No comando do Iphan no estado está Maurício Itapary, que, também apadrinhado por Sarney, já havia passado pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Ele é filho de Joaquim Itapary, colega de Sarney na Academia Maranhense de Letras.

Ex-prefeito de Nina Rodrigues (MA), o emedebista Jones Braga é o superintendente da Codevasf no estado. Quando Roseana Sarney foi governadora, ele ocupou a subchefia da Casa Civil. O superintendente do Ministério da Agricultura, Antônio José dos Santos, também foi indicado pelo grupo. Já nos Correios, a superintendência está a cargo de Ricardo Melo Sousa Barroso, indicado pelo então deputado federal Victor Mendes (MDB), do grupo de Sarney.

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