Últimas Notícias > Notícias > Brasil > A Polícia Federal vai investigar os últimos dois anos da vida do homem que esfaqueou Bolsonaro

Michel Temer diz que “não é fácil ser presidente” e que agora vai “combater os ataques” contra ele e o seu governo

O emedebista se disse vítima de tentativas de conspiração. (Foto: Beto Barata/PR)

O presidente Michel Temer afirmou que, a partir de agora, adotará um tom combativo contra aqueles que fizerem ataques contra ele ou contra a sua gestão. Durante evento realizado nessa nessa terça-feira pela Associação Comercial de São Paulo, o emedebista fez um discurso de quase uma hora, no qual listou feitos de sua administração – reforma trabalhista, reforma do ensino médio e teto de gastos, dentre outros.

Ele também elevou o tom de voz ao se referir a uma suposta “conspiração” que diz ter enfrentado. Ao falar sobre a “verdadeira guerra” para aprovar a reforma da Previdência (que está parada no Congresso Nacional por falta de votos), Temer adotou um tom mais ríspido contra os seus adversários.

“Vocês acompanharam a guerra que eu pessoalmente recebi em razão dos setores interessados nisso. Eu denuncio, eu acuso, eu aponto o dedo. Porque hoje tem que apontar o dedo, se você não fizer isso, você não ‘reinstitucionaliza’ o país”, afirmou sobre a reforma. “E o País perdeu inteiramente a ideia de liturgia, a ideia de autoridade, a ideia de uma certa hierarquia, responsabilidade.”

Sem explicitar quem seriam os seus inimigos, Temer afirmou que foi vítima de uma conspiração e fez um desabafo sobre comandar o Executivo federal: “Eu confesso que a essa altura da vida só mesmo fazendo pregações dessa natureza é que eu me sinto confortável por ser presidente da República. Porque não é fácil”.

Em seguida, ele acrescentou: “Confesso a vocês que, quando eu cheguei lá, essas questões destrutivas, essas questões daqueles privilegiados tentaram degradar-me moralmente, e eu tenho dito com muita frequência que não vou mais tolerar isso. Eu digo que agora vou combater isso, até porque meus detratores hoje ou estão na cadeia ou estão desmoralizados”.

A tese da conspiração rendeu mais uma parte do discurso. “Tal como denunciei num dos primeiros pronunciamentos que fiz, quando denunciei a conspiração que havia. E é interessante que, não passou um período de seis meses para que viesse à luz essa conspiração, essa realidade. Foram todos desmascarados”, vangloriou-se.

Tropeços

Ao longo de quase dois anos de governo, Temer foi denunciado duas vezes pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por investigações oriundas das delações da JBS/Friboi e do doleiro Lúcio Funaro. As duas peças, apresentadas pelo então titular da PGR Rodrigo Janot e aceitas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, acabariam arquivadas pela Câmara dos Deputados. Ele também é alvo de inquérito no STF pelo chamado “decreto dos portos”.

Justamente por este último inquérito, Temer teve seu sigilo bancário quebrado por determinação do ministro Luis Roberto Barroso, do STF. O magistrado ainda determinou a quebra do sigilo telefônico e telemático de outros envolvidos no caso, como o ex-assessor de Temer e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures. Barroso também restringiu um indulto natalino assinado pelo presidente em dezembro passado.

Durante o evento, Temer também afirmou que a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro ainda poderá ser interrompida para que seja aprovada a reforma da Previdência. “Deixando a modéstia de lado, este será o melhor governo que o Brasil conheceu”, exaltou.

Na avaliação do presidente, adversários nas eleições presidenciais terão dificuldade de discutir as obras de sua gestão: “Quem se opuser ao nosso governo vai ter que trabalhar muito. Vai ter que ser intensamente criativo”.

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