Últimas Notícias > Colunistas > Michel Temer salvou o País do caos? A História vai julgar

Michel Temer interfere para evitar o apoio do Partido Progressista ao presidenciável do PDT, Ciro Gomes

Ex-ministro já chamou o presidente de "ladrão". (Foto: Reprodução)

O Palácio do Planalto ameaça tirar cargos do PP (Partido Progressista) no governo federal se o partido decidir apoiar o pré-candidato do PDT à Presidência, o ex-ministro Ciro Gomes. Terceira bancada da Câmara dos Deputados, com 49 integrantes, o PP é o maior partido do bloco conhecido como “Centrão”.

Tambémcontrola os ministérios da Saúde, das Cidades e da Agricultura (os orçamentos somam quase 155 bilhões de reais), além de ter o comando da Caixa Econômica Federal. A pressão do Planalto e divergências no bloco – também formado por DEM, Solidariedade e PRB – mantêm indefinida a posição do Centrão na disputa.

Durante uma reunião realizada na casa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), as legendas que compõem o grupo não chegaram a um acordo e escancararam a divisão interna. Além das quatro siglas, participaram do almoço na casa de Maia políticos das siglas nanicas PSC e PHS, além do ex-deputado Valdemar Costa Neto, chefe do PR e condenado no processo do Mensalão.

Antes do encontro, Temer fez chegar ao PP o seguinte recado: “Vocês podem apoiar quem quiserem, menos Ciro Gomes”. Em conversas reservadas, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, já avisou que trabalharia para que os “infiéis” perdessem os cargos.

Auxiliares de Temer sabem que os progressistas não engrossarão a campanha do pré-candidato do MDB, Henrique Meirelles, mas também não querem ver o aliado aderindo ao rival.

Recentemente, Ciro chamou o presidente da República de adjetivos como “quadrilheiro” e “ladrão”. Disse, ainda, que o emedebista será preso.

O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), defende o aval ao pré-candidato do PDT, posição compartilhada por Maia e pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o “Paulinho da Força”, que dirige o Solidariedade.

Uma parte do DEM, porém, quer apoiar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), assim como o PRB. “Estamos pondo as divergências à mesa para ver como conseguimos construir as convergências”, disse o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro da Educação de Temer.

Fiel-da-balança

O apoio do “Centrão” é visto como fiel da balança na disputa pelo Palácio do Planalto. Se todos os partidos estiverem juntos, a avaliação do próprio governo é de que o grupo pode desequilibrar o jogo em favor de um candidato. É por esse motivo que o Planalto age para evitar que o PP fique com Ciro.

O dote eleitoral oferecido pelo bloco é de, no mínimo, 4 minutos e 12 segundos por dia no horário eleitoral de rádio e TV, que começa em 31 de agosto. Somente as quatro legendas – DEM, PP, Solidariedade e PRB – reúnem 124 deputados e têm palanques importantes, principalmente no Nordeste e no Sudeste. Embora o maior partido do grupo seja o PP, a força do DEM pode ser medida pelo comando da Câmara, zona de influência que a sigla quer manter na próxima legislatura.

Além dos partidos do “Centrão”, outra legenda que negocia apoiar Ciro Gomes é o PSB. No caso dos pessebistas, no entanto, as conversas estão mais adiantadas e envolvem até mesmo a discussão sobre uma eventual fusão com o PDT em 2019. “Tem conversas sobre isso com o PSB. Muitos têm esse desejo”, disse o presidente pedetista, Carlos Lupi.

A ideia surgiu como uma forma de fortalecer a base parlamentar de Ciro em caso de vitória, mas também pode ser aplicada em caso de derrota dele. Unidos, PSB e PDT podem superar com facilidade a cláusula de desempenho, conquistar espaços nas comissões da Câmara, ampliar o tempo de TV no horário eleitoral gratuito e reforçar o caixa, com a soma dos recursos do Fundo Partidário.

“Uma eventual coligação é o começo de um caminho que vamos ter a partir do ano que vem. Naturalmente, a sopa de letrinhas que temos hoje vai diminuir. A gente não vai fazer isso só pela legislação, mas pela identificação ideológica no nosso campo”, afirmou o deputado federal Julio Delgado (PSB-MG).

Essa não é a primeira vez que o PSB fala em fusão. Em 2016, quando ainda estava na oposição ao governo Dilma Rousseff, a executiva da legenda fez tratativas com o PPS para uma união, mas a ideia não avançou. A bancada do PSB na Câmara tem 28 deputados, enquanto a do PDT soma 19 parlamentares.

 

Deixe seu comentário: