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Michel Temer quer atrair partidos da base aliada do governo para o projeto eleitoral do MDB

Presidente manteve cargos ligados a legendas com pré-candidatos ao Planalto. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Michel Temer não conseguiu utilizar a reforma ministerial para amarrar os partidos de sua base aliada ao projeto eleitoral do MDB. Fragilizado após a Operação Lava-Jato atingir alguns de seus amigos próximos e trazer de volta o risco de uma terceira denúncia pela PGR (Procuradoria-Geral da República), ele preferiu manter no governo as legendas que já lançaram pré-candidatos ou anunciaram apoio a outros presidenciáveis.

Sem o compromisso da base e sem muito a oferecer na reta final do governo, o presidente deu início, nas últimas semanas, à ofensiva para tentar atrair esses partidos para sua órbita eleitoral. O emedebista passou a reunir presidentes dessas legendas para conversas sobre eleições e fez questão de prestigiar jantares partidários para comemorar a entrada de novos filiados.

Há uma semana, Temer chamou seu ex-ministro Marcos Pereira, presidente do PRB, para sondar a possibilidade de o partido apoiar o projeto do MDB, tendo o próprio Temer como candidato ou o ex-ministro Henrique Meirelles (Fazenda). O PRB manteve o comando da pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mesmo após lançar como pré-candidato ao Palácio do Planalto o empresário Flávio Rocha, dono da rede de lojas Riachuelo.

Na conversa, que constou na agenda oficial de Temer, o dirigente do PRB afirmou que a legenda está levando a sério a candidatura de Rocha, mas deu indicativos de que ainda não fechou completamente as portas: caso o empresário não se viabilize na corrida presidencial, a sigla poderá oferecê-lo como candidato a vice na chapa de algum postulante de centro, ligado ao MDB, PSDB ou DEM.

No mesmo dia da conversa com Pereira, Temer fez questão de participar de jantar promovido pelo PR para saudar os novos deputados da sigla. Ao chegar ao encontro, cumprimentou os parlamentares, um a um, e discursou durante 15 minutos, enaltecendo a aliança com a legenda, que ocupa o Ministério dos Transportes desde o afastamento da então presidenta Dilma Rousseff, em maio de 2016.

O PR também passou a ser um dos partidos mais procurados por presidenciáveis após a condenação e prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cúpula da sigla já admite acompanhar o líder petista nas urnas se ele obtiver uma liminar para concorrer na eleição deste ano.

Na semana anterior, Temer já tinha participado de jantar do PP na casa do presidente do partido, senador Ciro Nogueira, do Piauí. O PP tem dado suporte à pré-candidatura ao Planalto do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “O presidente faz questão de estar junto com os partidos de sua base, especialmente quando comemoram o crescimento de suas bancadas.”, disse o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, do MDB.

PTB

Temer também procurou o PTB. Em conversa com o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional da agremiação, ele ouviu que o ela seguirá apoiando o governo mas, no que se refere ao pleito, já se comprometeu a apoiar a candidatura do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB).

O PTB se dispôs a entregar o Ministério do Trabalho, mas Temer manteve o comando da pasta com a sigla. “O objetivo é promover, a mesma equação político-administrativa ou político-congressual. Porque o passado deu certo e esse presente nos conduzirá a um futuro ainda muito mais saudável do que já obtivemos até agora”, justificou o emedebista durante em discurso na primeira reunião com sua nova equipe de ministros, na semana passada.

Aliados dizem que, mesmo atingido pela Lava-Jato, Temer segue com o seu projeto eleitoral de disputar um segundo mandato. Enquanto o pleito não chega, ele precisa do apoio dos partidos da base aliada para aprovar matérias econômicas importantes no Congresso Nacional, dentre elas a privatização da Eletrobras e a reoneração da folha de pagamento.

Também busca o apoio dos deputados dessas siglas para barrar uma eventual terceira denúncia da PGR por corrupção. Enquanto o presidente tenta angariar apoio eleitoral, o ex-titular da Fazenda Henrique Meirelles deu início à agenda de viagens pelo País em busca de se tornar mais conhecido e, assim, se viabilizar como o candidato à reeleição – ou vice de Temer, já que a composição da chapa segue em aberto.

Na quinta-feira passada, ele foi a Rio Verde (GO), onde participou de feira ligada ao agronegócio, mesmo setor que visitou em agenda no interior de São Paulo no dia seguinte. Para esta semana, Meirelles tem agendada uma participação em evento do banco Santander em São Paulo e pretende fechar a contratação de uma equipe de campanha, com marqueteiro e outros assessores. Também participará, entre quarta-feira e o próximo domingo, de fórum do Lide no Recife (PE) – na cidade, ele também visitará igrejas evangélicas.

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