Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019

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CAD1 Milhares de pessoas comemoram a legalização do casamento gay na Alemanha

O Parlamento alemão, com o voto contra de Angela Merkel, aprovou no último dia 30 de junho a legalização do casamento homossexual. (Foto: Reprodução)

Milhares de pessoas comemoraram neste domingo (9) com um colorido desfile em Colônia a recente aprovação no Parlamento alemão da legalização do casamento homossexual e se manifestaram contra a discriminação e a favor dos direitos do coletivo LGTBI.

O desfile foi realizado no marco de um fim de semana de comemorações, que teve início na sexta-feira com uma chuva de corações vermelhos pelo ministro da Justiça, o social-democrata Heiko Maas. Sob o lema “Nunca mais”, os organizadores queriam prestar homenagem aos homossexuais perseguidos pelo regime nazista.

Um total de 175 bandeiras com as cores do arco-íris colocadas em um das pontes da cidade lembravam o artigo 175 do Código Penal, herdado do século XIX, endurecido na época nazista e não abolido até 1994, pelo qual foram abertos cerca de 64 mil processos penais contra homossexuais entre 1949 e o início dos anos 1990.

Em março deste ano, o Conselho de Ministros da Alemanha aprovou um projeto de lei para indenizar e anular as condenações impostas desde o final da II Guerra Mundial com base nesse artigo. Vários políticos se somaram às comemorações, entre eles a prefeita de Colônia, Henriette Reker, que afirmou que os participantes do desfile tinham motivos para comemorar o “casamento para todos”, mas que a discriminação contra os homossexuais segue presente na sociedade.

Merkel contra

O Parlamento alemão, com o voto contra da chanceler, Angela Merkel, aprovou no último dia 30 junho a legalização do casamento homossexual em uma polêmica sessão, na qual os social-democratas decidiram abalar o acordo de coalizão com os conservadores, a três meses das eleições gerais. “Para mim, o casamento é, segundo nossa Constituição, uma união entre um homem e uma mulher. Por isto votei contra o projeto de lei”, afirmou Merkel à imprensa.

A iniciativa tinha ficado fora do acordo de grande coalizão firmado em 2013 e o Partido Social Democrata (SPD), que respeitou o pacto nos últimos quatro anos, advertiu que a questão seria requisito imprescindível para participar de um futuro governo, o mesmo que fizeram os liberais e os verdes.

Perante esse cenário, Merkel abriu as portas para uma “decisão em consciência” e o SPD decidiu forçar uma votação sem esperar as eleições de 24 de setembro, para a qual a chanceler deu a seus deputados liberdade de voto.

A nova lei, que precisa ser ratificada pela Câmara Alta do Parlamento para entrar em vigor, o que deve acontecer até o fim do ano, concederá aos casais homossexuais o direito à adoção.

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