Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019

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Brasil “Minha vida sempre foi descascar abacaxis”, disse o governador em exercício do Rio, ao assumir o cargo após a prisão de Pezão

O vice-governador Francisco Dornelles assumiu o governo do Rio. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

“O último grande desafio na vida pública”. É assim que o governador em exercício do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, 83 anos, classifica os 30 dias que tem pela frente no comando do Estado. O agora titular do Palácio Guanabara não ocupará a sala antes usada por Luiz Fernando Pezão, preso na quinta-feira na Operação Boca de Lobo, da Operação Lava-Jato.

“Estou muito bem aqui no prédio anexo [destinado ao gabinete de vice-governadores]. Gosto das árvores e dos micos pulando de galho em galho”, disse Dornelles, ao Globo, apontando para a janela. “A sala do Pezão [no edifício principal do palácio] é boa para museu. As instalações são muito pesadas, né?”

O gabinete de Dornelles é decorado com bandeiras do Brasil e do Estado do Rio. Sobre a mesa, imagens de santos, uma flâmula do Fluminense e retratos dos netos. As duas filhas não gostaram do protagonismo forçado do pai na reta final de governo. O Natal em São João del-Rei, cidade com menos de cem mil habitantes em Minas Gerais, onde o governador em exercício nasceu, terá que ficar para o ano que vem.
A rotina também mudou. Habituado a dormir às 21h, Dornelles já enfrenta reuniões que entram noite adentro. Antes, só as partidas do Fluminense e os jogos de vôlei na TV o faziam ficar acordado até tarde.

“Como vice, eu aconselhava e examinava casos específicos. Eu não entrava no funcionamento da máquina. Agora, tenho que receber secretários e tentar solucionar problemas. Mas vou continuar acordando às 6h30m, para fazer meus exercícios “, afirmou.

O treino para manter a saúde em dia é intenso, com sessões de pilates, musculação, esteira e natação. “Cada dia tenho uma atividade diferente.”

É bom mesmo Dornelles estar preparado. Ele terá missões difíceis pela frente. Entre elas, pagar o 13º do funcionalismo e manter o veto de Pezão ao projeto da Assembleia Legislativa que retirou a Cedae do Regime de Recuperação Fiscal. Mas o governador em exercício parece não se assustar:

“Minha vida sempre foi descascar abacaxis: na Receita Federal, como ministro da Fazenda [na gestão de José Sarney] e no governo do Rio. Quando o Pezão tirou licença médica em 2016, a situação era bem mais delicada. No início de cada mês, eu já ficava sabendo quantas pessoas iriam ficar sem salário”, conta, afirmando que só poderá anunciar a data do pagamento do 13º na próxima quarta-feira.

Nos momentos difíceis, Dornelles busca inspiração em dois políticos: Winston Churchill, que foi primeiro-ministro britânico, e Tancredo Neves, de quem é sobrinho. E também guarda lembranças de outro ilustre:

“Meu pai era primo do Getulio Vargas. Minha vida política começou aos 10 anos, na primeira queda do Getulio. Naquele dia, invadiram a minha casa na Vila Militar, no Rio”, recorda.

Dornelles já tem data para pôr um ponto final na vida pública. Em junho de 2019, quando termina seu mandato na presidência estadual do Progressistas (PP). Ele diz não saber o que fará com tanto tempo livre: “Só chegando lá para ver.”

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