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Ministro da Economia diz que o principal opositor no Congresso é o próprio governo

Deputados defensores da reforma da Previdência reclamaram que os líderes governistas deixaram Guedes à mercê dos ataques da oposição. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Questionado sobre o voto até mesmo dos parlamentares da base do governo, em medidas que contrariariam a equipe econômica, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu nesta quarta-feira (27), que o principal opositor do governo no Congresso tem sido o próprio governo. “Está falhando algo em nós. É assustador. Na terça-feira [26], tomei susto quando falaram que partido do governo ia jogar pedra na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] da Câmara”, afirmou, em referência à audiência pública à qual desistiu de ir.

Guedes avaliou a aprovação na terça-feira na Câmara dos Deputados de uma proposta de emenda constitucional que engessa ainda o orçamento – com ampla maioria no plenário – foi uma “exibição de poder político”. A aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) causou volatilidade no mercado financeiro nesta quarta-feira, assim como a fala do ministro.

“Na terça-feira aconteceu uma demonstração de poder de uma casa legislativa. Foi um recado ao governo que diz que quer aprovar a reforma da Previdência em seis meses, mas também mostrou que PECs podem ser aprovadas em dois dias”, afirmou, em audiência pública na CAE [Comissão de Assuntos Econômicos] do Senado.

A proposta de emenda à Constituição que reformula o pacto federativo poderia entrar no Congresso pelo Senado, tramitando ao mesmo tempo em que a Câmara dos Deputados discute a reforma da Previdência, disse Guedes. Ele fez a sugestão em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

“Acho que, da mesma forma que mandamos uma reforma da Previdência para a Câmara dos Deputados, deveríamos analisar a conveniência de mandar um pacto federativo para o Senado. Trata-se de redesenhar, não é só salvar este ano, é redesenhar as finanças públicas do Brasil, corrigindo esse mal sistêmico do modelo econômico. Tem que ser descentralizado”, destacou Guedes diante do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (PDT-AP).

Para o ministro, é preciso aprovar a reforma da Previdência. “Se não fizermos [a reforma], vamos condenar nossos filhos e netos, por nosso egoísmo, nossa incapacidade de fazer um sacrifício.” Ainda sobre a PEC do Pacto Federativo, que desvincula, desindexa e retira diversas obrigações do Orçamento, Guedes disse que a equipe econômica já amadureceu a proposta, que agora precisa avançar no meio político. “Essa é uma pauta técnica, mas ainda não teve o sabor da política. Nós queríamos começar essa interação já”, acrescentou.

Guedes disse ainda que esperava fechamento de questão dos principais partidos da base – PSL e DEM – sobre aprovação da previdência. “Há um choque de acomodação. O grupo que está chegando ainda não sabe onde está a cadeira e o grupo que já estava aí está sentado na janela”, afirmou. “Mas acho que esse choque de acomodação no parlamento será superado”, completou.

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