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O ministro da Educação diz que um universitário custa o mesmo do que dez alunos em uma creche

Weintraub compara o custo de um aluno de graduação (R$ 30 mil anuais, segundo ele) com o de uma vaga em creche (R$ 3 mil). (Foto: Andre Sousa/MEC)

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou que a política de corte de verbas para universidades federais está atrelada ao plano do governo Bolsonaro de eleger a educação básica como prioritária. Em vídeo postado nesta terça-feira (30), em sua conta no Twitter, Weintraub questionou se os contribuintes preferem que o dinheiro dos impostos seja gasto com alunos de graduação ou de creches. “Para cada aluno de graduação que eu coloco na faculdade, eu poderia trazer dez crianças para uma creche. Crianças que geralmente são mais humildes, mais pobres, mais carentes, e que, hoje, não têm creches para elas. O que você faria no meu lugar?”, questionou.

Weintraub compara o custo de um aluno de graduação (R$ 30 mil anuais, segundo ele) com o de uma vaga em creche (R$ 3 mil). Ele não explica no vídeo se os dados são uma média ou se referem a instituições específicas. O ministro afirmou que um dos critérios para o corte no orçamento seria a promoção de “balbúrdia” nos campi e de festas inadequadas ao ambiente universitário. Três universidades já haviam sido alvo: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

Na própria terça-feira, porém, o ministério recuou da decisão de punir com bloqueio especificamente universidades que promovessem “bagunça” em seus campi. “Para quem conhece Universidades Federais, perguntar sobre tolerância ou pluralidade aos reitores [ditos] de esquerda faz tanto sentido quanto pedir sugestões sobre doces a diabéticos”, criticou Weintraub no Twitter nesta quarta-feira (01).

O ministro afirmou ainda que, no ambiente universitário, acontecem eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas. “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”, disse. Ele deu exemplos do que considera bagunça: “sem-terra dentro do campus, gente pelada dentro do campus”.

De acordo com o MEC (Ministério da Educação), as três universidades tiveram 30% da sua dotação orçamentária anual bloqueada, medida que entrou em vigor na semana passada. Os cortes atingem as chamadas despesas discricionárias, destinadas a custear gastos como água, luz, limpeza, bolsas de auxílio a estudantes, etc. Os recursos destinados ao pagamento de pessoal são obrigatórios e não podem ser reduzidos.  Weintraub afirmou que o corte não afetará serviços como o “bandejão”. O MEC informou que o programa de assistência estudantil não sofrerá impacto, apesar de esses recursos integrarem a verba discricionária.