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Ministro da Educação estuda dar bolsa para quem quiser ser professor

(Foto: Pedro França/Agência Senado)

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, estuda criar uma bolsa para jovens que queiram ser professores do ensino básico. A ideia seria a de premiar alunos com altas notas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e que quiserem cursar Pedagogia.

Weintraub tem se reunido com fundações que apoiam a educação e a proposta surgiu nessas conversas.

Atualmente, 70% dos alunos que escolhem Pedagogia no Enem têm notas abaixo da média. A intenção de programas como esse é a de estimular que os melhores alunos do ensino médio queiram ser professores. Países como Chile e Cingapura têm programas semelhantes, com bons resultados.

A bolsa seria dada ao aluno durante a graduação. O problema é que o projeto está vinculado ao fim do contingenciamento de recursos que reduziu as verbas do MEC.

Por isso, ainda não há previsão do valor que seria pago ou de quando a ideia poderia ser colocada em prática pelo governo.

Ato pela educação

Os protestos que tomaram as ruas de ao menos 170 cidades do País na semana passada contra os cortes no Ministério da  Educação geraram um alerta no governo sobre a possibilidade de professores direcionarem a mobilização contra a reforma da Previdência.

Considerado projeto essencial para o sucesso da economia pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), a reforma com mudanças nas regras de aposentadorias e pensões tramita em comissão especial da Câmara.

Auxiliares de Bolsonaro monitoram a possibilidade de profissionais da educação ampliarem a articulação da quarta-feira passada (15) para criar novos focos de protestos. Mobilização já começou a ser convocada para o dia 30 de maio.

O governo monitora tanto a possibilidade de protestos nos Estados, o que atinge diretamente os governadores, e que pressiona indiretamente a União, quanto nos arredores do Congresso nos dias em que a PEC (proposta de emenda à Constituição) for submetida à votação no Legislativo.

A preocupação se deu pelo motivo de terem aparecido nas ruas cartazes contra a reforma da Previdência e pelo fato de os professores serem vistos como uma categoria bem articulada no País.

Embora o Palácio do Planalto evite demonstrar publicamente estar em alerta sobre a possibilidade de a insatisfação gerada pelos cortes do Ministério da Educação se espalhar, nos bastidores esse é um cenário estudado pelos auxiliares do presidente.

O número de manifestantes, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, surpreendeu o setor de inteligência do governo, que esperava que os protestos sofressem uma redução ao longo do dia, na quarta.

Com a força das mobilizações, o receio de auxiliares presidenciais, sobretudo do núcleo militar, é que manifestações sejam convocadas nas próximas semanas.

O temor é que incluam protestos contra as reformas da Previdência e tributária, desgastando ainda mais a imagem do governo Bolsonaro.

Na quinta-feira (16), o vice-presidente, general Hamilton Mourão, negou que haja a possibilidade de se repetir a onda de protestos que se formou no País em 2013, quando o País assistiu às jornadas de junho.

“Eu julgo que não [se repita 2013]. Isso foi uma coisa pontual. À medida que o governo federal tomar decisões, e acho que será aprovada a reforma previdenciária, vão mudar as expectativas econômicas e os recursos voltarão para as universidades federais”, disse.

Em 2013, protestos contra o aumento das tarifas de ônibus em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro estimularam uma onda de manifestações pelo país inteiro, o que se transformou em uma crise de governo para a então presidente Dilma Rousseff (PT).

No Palácio do Planalto, a avaliação é que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não soube explicar de maneira adequada a necessidade do bloqueio de recursos, transformando um problema pontual em uma crise de governo.

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