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Moro na Justiça

Escolha do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça foi uma sacada brilhante. (Foto: Agência Brasil)

A escolha do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça foi uma sacada brilhante do presidente eleito Jair Bolsonaro. De que outro modo, em um só gesto, ele poderia reafirmar com tamanha nitidez o compromisso de combater a corrupção, essa chaga moral que nos degrada e envergonha?

Achei que Moro não aceitaria o convite, quando menos para não dar razão ao PT, de que ele não era um juiz, mas um militante político de toga. “A conclusão óbvia é que Moro foi recompensado por ter agido como o principal cabo eleitoral na campanha”, segundo um leitor da Folha. Mas afora os petistas, pelo visto, o convite a Moro para o Ministério gerou mais apoio do que reações desfavoráveis.

Dá para dizer que agora existem dois salvadores da pátria, Bolsonaro e Moro. Os brasileiros acreditam candidamente que basta terminar com a roubalheira dos cofres públicos e então terá dinheiro para a educação, a saúde, a segurança, e por encanto as nossas vicissitudes se dissiparão na poeira do tempo.

Uma pena, mas não é assim. O buraco é bem mais embaixo. A prisão de todos os corruptos, o fim da bandalheira está longe de produzir, por si, a retomada do desenvolvimento, da renda, do emprego, de acabar de vez com a pobreza, a miséria e a desigualdade.

Mas a verdade é que o assunto mexeu com os nervos de milhões de brasileiros. Políticos de todos os partidos que prometeram não roubar nem deixar roubar, não apenas descumpriram a palavra, quanto avançaram fundo, com apetite insaciável, nos cofres combalidos da nação. Em grande parte a eleição se decidiu aí: Bolsonaro, mais do que ninguém, soube incorporar o mal- estar coletivo, a sensação de revolta contra os bandalhos da política.

A massa do eleitorado, cansada de ouvir todos os dias o noticiário de roubos e desvios milionários, apostou no ex-militar durão, que investiu contra tudo e contra todos. Elegeu um xerife para afastar os bandidos e botar ordem na casa. Quem votou em Bolsonaro pouco estava ligando se ele desrespeitava e ofendia mulheres e homossexuais.

A retórica da inclusão social, da geração de emprego e renda, das promessas de um futuro radioso, desgastadas pela crise, não estava no radar do eleitor comum. O que estava em jogo era saber quem, dentre os candidatos, era capaz de deter os suspeitos de sempre, aqueles que assaltaram sem pudor os cofres do tesouro, fosse para permanecer no poder ou para encher os próprios bolsos.

Os eleitores devem ter percebido que Bolsonaro era “diferente”, não tinha partido, horário de televisão, recursos de campanha. Quem tinha isso tudo era o PT, o MDB, o PSDB. O candidato do PSL estava definitivamente na contramão do “stablishment”. Assim, tanto mais batiam no candidato – toda a grande imprensa brasileira estava contra ele – mais ele crescia nas pesquisas, mais consolidadas ficavam as intenções de voto em seu favor.

Se ele der conta de atender o clamor das ruas, em favor da honestidade e da ética no trato do dinheiro público, terá feito muito. Com o tempo saberemos. Há longo caminho a percorrer e enormes obstáculos a vencer. Mas não há como negar que a escolha de Moro em posição estratégica é um bom começo.

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