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Símbolo de elegância no Brasil, morre a socialite Carmen Mayrink Veiga, aos 88 anos

Carmen Mayrink posa para foto ao lado de Guilherme Guimarães e Ricardo Amaral durante festa no Rio de Janeiro em outubro de 1991. (Foto: Reprodução)

A socialite Carmen Mayrink Veiga morreu, no domingo (3), aos 88 anos, enquanto dormia em sua casa no Rio de Janeiro. O corpo de Carmen será cremado no Memorial do Carmo, às 14h de terça-feira (5).

Carmen nasceu em 24 de abril de 1929 em Pirajuí, no interior de São Paulo, em uma família tradicional da Região Sudeste do País. Seu pai, Enéas Solbiati, foi cônsul honorário do Reino da Itália. A mãe, Maria de Lourdes Lacerda Guimarães, era filha do Barão de Arari.

Símbolo de elegância, Carmen ficou famosa no mundo da moda e entrou para a lista das mulheres mais bem vestidas da revista Vanity Fair. A socialite foi retratada por artistas mundialmente famosos, como Andy Warhol, e fotografada por Mario Testino e Richard Avedon. Foi casada por seis décadas com o empresário Tony Mayrink Veiga, que morreu no ano passado. O casal teve dois filhos e cinco netos.

A atriz Antônia Frering, filha de Carmen, postou uma foto da mãe em uma rede social e amigos aproveitaram para confortá-la. “Meus sentimentos amiga, Deus está recebendo de abraços aberto bjs , com todo o carinho”, diz uma mensagem.

Elegância e beleza

Nos últimos anos, debilitada por uma doença que a colocou numa cadeira de rodas, a paulista radicada no Rio evitou a exposição pública. Autoexílio que preservou sua imagem até a morte.

Ícone de elegância e beleza, ela foi a mulher mais cortejada e invejada da high society carioca. Presença obrigatória (e atração) nos badalados eventos que reuniam ricos, famosos e poderosos.

Os cabelos pretos e sempre penteados para trás, a maquiagem marcante porém discreta, os vestidos assinados por famosos estilistas que valorizavam sua silhueta longilínea…

Carmen eclipsava todos ao seu redor – especialmente as ‘locomotivas’ da sociedade que tentavam imitá-la. Uma luz própria imortalizada num retrato pintado por Cândido Portinari, em 1959.

O Rio da zona sul, com seu glamour tão inigualável quanto provinciano, teve inúmeras estrelas, mas nenhuma tão respeitada e, agora, lendária, como madame Mayrink Veiga.

Ela representava um Brasil que não existe mais: a maioria dos milionários vinha de famílias tradicionais, os ‘quatrocentões’, com sobrenomes pomposos e árvore genealógica com títulos nobiliárquicos.

Hoje, o grosso do dinheiro está nas mãos de emergentes, os ‘novos ricos’. As socialites do momento ostentam grifes caras nas roupas, sapatos, bolsas e joias. Mas falta o glamour genuíno, o porte, o esplendor. Isso Carmen exalava.

Carmen fazia parte de um grupo que era a realeza do País. Pessoas que usavam longo de alta costura e smoking com a naturalidade de quem veste uma camiseta.

Homens e mulheres bem recebidos nos grandes salões da Europa, livres dos estigmas impostos a quem nasceu numa nação latina marcada pela pobreza de seu povo.

Ao lado do marido, o empresário Tony, morto em junho do ano passado, Carmen Mayrink Veiga inspirou sonhos em quem adoraria viver hollywoodianamente no Brasil.

Apesar de tamanha sofisticação, lapidada nos 23 anos em que morou em Paris, a socialite surpreendia com atitudes simples. Por exemplo: gostava de adotar gatos de rua.

Mesmo quando seu clã conheceu a decadência financeira, não perdeu o estilo e a alegria de viver. Mais francês, impossível.

Na TV, esteve algumas vezes nos programas de Jô Soares e Amaury Jr. Era tratada como celebridade do primeiro time, ainda que o povão não soubesse sequer o nome daquela senhora tão distinta.

Numa entrevista a Márcia Peltier, no Copacabana Palace, Carmen Mayrink Veiga declarou: “O coração é seu, pode sofrer. O rosto é do público, sorria sempre”.

E disse ainda, serena: “Você tem que viver com o que a vida te oferece, não com o que você quer. Minha vida foi inacreditavelmente boa”.

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