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Morre, aos 90 anos, o cineasta britânico Nicolas Roeg

Nicolas Roeg durante premiação em Londres, em 2012. (Foto: Reprodução)

O cineasta britânico Nicolas Roeg morreu na sexta-feira (23), aos 90 anos. A causa da morte não foi informada por sua família. Nascido e criado em Londres, ele foi um dos mais influentes nomes do cinema do Reino Unido. Dirigiu filmes que se tornariam cult como “Performance” (de 1970, com Mick Jagger no elenco), o terror “Inverno de Sangue em Veneza” (1973) e “O Homem que Caiu na Terra” (1976, com David Bowie como protagonista).

Ele ficou famoso por desenvolver um estilo próprio de fazer cinema, que envolvia tramas não lineares e temáticas complexas. Horror, morte, sexo e colapso mental eram assuntos recorrentes. Sem educação formal, Roeg ingressou na indústria cinematográfica de maneira casual. Em 1947, recebeu convite para servir chá em um estúdio em Marylebone, na capital inglesa, onde trabalhou também como operador de câmera.

Nos anos 1960, tornou-se um aclamado diretor de fotografia – em seu currículo, constam os clássicos “Lawrence da Arábia” (1963) e “Doutor Jivago” (1965), de David Lean, e “Fahrenheit 451” (1966), de François Truffaut. Cineastas contemporâneos como Paul Thomas Anderson, Steven Soderbergh, Christopher Nolan e Danny Boyle já reconheceram a influência de Roeg em suas obras.

A partir do final daquela década, Roeg passou a dirigir as próprias obras. Em parceria com o escocês Donald Cammell, lançou-se à direção com “Performance”, filme experimental que tem no elenco a participação de Mick Jagger, à época em seu auge. A obra de 1970, de roteiro intrincado, fala de troca de identidades.

O líder dos Stones interpreta um ex-roqueiro recluso que vive no interior da Inglaterra com duas mulheres, uma delas interpretada por Anita Pallenberg (ex-namorada de Brian Jones e Keith Richards, parceiros de Jagger na banda). O personagem acolhe um gângster, que está fugindo de seus comparsas.

Tido como hermético demais, “Performance” só chegou aos cinemas dois anos depois e se tornou cult. “Já me falaram que meus filmes são difíceis de vender. Não são horror, não são thriller. Sim, há uma história de amor ali, mas não dá para chamá-la de romance”, disse o cineasta ao jornal The Guardian, em 2007. “As pessoas amam coisas que vêm em caixas, classificadas como um gênero. Mas é apenas a vida. Vida e nascimento e sexo e amor: eles não caminham, necessariamente, juntos.”

Em 1971, Roeg rodou “A Longa Caminhada”, que acabou tendo o mesmo destino do filme anterior. A história gira em torno de dois irmãos, perdidos no deserto australiano, que são ajudados por um jovem nativo.

Dois anos depois, o diretor realizaria sua obra-prima, “Inverso de Sangue em Veneza”, tida como um dos filmes de terror mais assustadores da história. Durante uma temporada na cidade italiana, um casal enlutado, interpretado por Donald Sutherland e Julie Christie, tem contato com duas irmãs, uma delas com poderes paranormais.

O diretor voltaria a trabalhar com um rockstar – dessa vez, David Bowie – em “O Homem que Caiu na Terra”, ficção científica de 1976. A obra se aproveitou do jeitão incomum do músico para escalá-lo no papel de um alienígena que se finge de ser humano.

A década seguinte veria filmes menos expressivos como “Bad Timing” e “Eureka”. Já em 1990, Roeg faria aquele que talvez seja seu último título relevante – e um clássico da programação da TV aberta: “Convenção das Bruxas”, sobre um hotel infestado de feiticeiras malignas, chefiadas por Anjelica Huston. O diretor deixou a mulher, Harriet Harper, e seis filhos.

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