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Lenda dos palcos, a atriz e cantora Bibi Ferreira morreu aos 96 anos

Bibi Ferreira se aposentou dos palcos no fim de 2018. (Foto: Reprodução/Facebook)

Morreu nesta quarta-feira (13), aos 96 anos, no Rio de Janeiro, a atriz e cantora Bibi Ferreira. A artista faleceu no seu apartamento, segundo a filha dela, Tina Ferreira.

“Ela amanheceu normal, acordou tomou seu café da manhã e tudo. Depois ela só se queixou que estava se sentindo um pouco com falta de ar. Então como tem enfermeira, tem tudo, tiramos a pressão, o pulso estava fraco. Imediatamente chamamos o Pró-Cardíaco. Eles vieram muito rápido, muito rápido mesmo, ambulância, médico, tudo, mas quando chegaram ela já tinha partido. Ela morreu dormindo, tranquila”, explicou Tina.

Em setembro de 2018, Bibi se despediu dos palcos, coisa que nunca imaginou na vida, dizia. Mas, ao explicar o afastamento do ofício, afirmou, em um breve comunicado no Facebook: ”Entender a vida é ser inteligente”.

Nascida Abigail Izquierdo Ferreira, a atriz era filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina argentina Aída Izquierdo. Fez a estreia teatral ainda bebê, quando participou de uma peça de Oduvaldo Vianna. Ao longo da longa carreira, participou de peças no Brasil e em Portugal. Na década de 1960, estreou na TV Excelsior num programa ao vivo de teatro.

Apelidada de Bibi, Abigail Izquierdo Ferreira teria nascido em 1º de junho de 1922, no Rio, porém duas datas aparecem como referência de seu nascimento: seu pai falava em 4 de junho, e na certidão de nascimento consta 10 de junho. A atriz, por também não saber a data ao certo, passou a comemorar seu aniversário a cada dia 1º.

Seus pais, tios e avós viveram profundamente ligados ao circo e ao teatro. E foi no picadeiro familiar dos Irmãos Queirolo que Bibi surgiu pela primeira vez em cena, aos 24 dias, nos braços da madrinha, a atriz Abigail Maia, substituindo uma boneca de pano que havia sido perdida e que era utilizada numa cena da peça “Manhãs de sol”, de Oduvaldo Vianna, pai do também dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho. Depois, aos 3, Bibi passou a animar os entreatos das peças da Companhia Velasco, que sua mãe integrava depois de se separar de Procópio.

Foi uma infância marcada por estudos de ópera, piano e violino, tendo participado do Corpo de Baile do Municipal dos 7 aos 14 anos, Bibi faz sua estreia profissional junto ao pai, em 1941, quando, aos 18 anos, atuou em “La Locandiera”, de Carlo Goldoni.

Sempre precoce, no ano seguinte montou a sua própria companhia, que absorveu grandes nomes do teatro, como as atrizes Cacilda Becker e Maria Della Costa, além da diretora francesa Henriette Morineau, influência que levou Bibi a se tornar uma das primeiras mulheres a dirigir teatro no País — em sua estreia na função, ela guiou o próprio pai em cena, na peça “Fizemos divórcio” (1947), um sucesso estrondoso.

Bibi Ferreira nasceu num tempo em que ser ator não era status social aceitável nem sequer profissão regulamentada. Mas por ser filha de quem foi — da bailarina espanhola Aída Izquierdo e do ator Procópio Ferreira, um dos responsáveis pela profissionalização do ofício no País —, Bibi viveu e contribuiu para a passagem do então sub-ofício a uma profissão capaz de transformar artistas em semideuses da cena, em divindades vivas. E Bibi se tornou uma delas; ou melhor: a maior delas. Atuou com firmeza até os seus 96 anos, como um mito vivo, em atividade, e com plena consciência do que fez e do que ainda gostaria de ter feito:

“Eu tenho consciência de tudo o que eu fiz, tudo”, disse em entrevista ao jornal O Globo, em janeiro de 2018. “Embora tenha começado profissionalmente com meu pai, entre 18 e 19 anos, lembro de dançar no Municipal do Rio, com 6 anos, de fazer o filme “Cidade mulher” (de Humberto Mauro) quando tinha 13, de ser ensaiada pelo Noel Rosa… Então são quase 90 anos no palco. E continuo fazendo.”

E quando lhe perguntavam sobre aposentadoria, Bibi respondia: “Eu me aposentar? Olha bem! Não penso nisso por três razões: estou muito bem, ia ficar tudo muito triste, e preciso trabalhar”, disse ao completar 90 anos. Sua despedida dos palcos ocorreu quando entrou em turnê com o espetáculo Por Toda a Minha Vida.

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