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Morreu Pedro Carlos Rovai, cineasta que fez história na pornochanchada

Rovai com o então vice-presidente Temer em 2015. (Foto: Romério Cunha/Divulgação)

Morreu na quinta-feira (1°), de câncer, aos 80 anos, Pedro Carlos Rovai, no Rio de Janeiro. Ele será cremado neste sábado (3). Para o espectador que, nos anos 2000, viu seu o nome associado à série infantil Tainá – dirigiu o primeiro filme, produziu o segundo – e a um trabalho delicado como As Tranças de Maria, talvez cause espanto lembrar que, nos anos 1960 e 70, ele foi um dos responsáveis pelo fenômeno da pornochanchada.

O cinema brasileiro é muito fácil de rotular, mas Rovai e sua carreira são a prova de que é possível ousar, tentar, mudar. Paulista de Ourinhos, ele nasceu em 1938.

Rovai iniciou-se no cinema como assistente de direção de Luiz Sérgio Person (em São Paulo S/A) e Rubem Biáfora (O Quarto), dois importantes autores de perfil autoral. Estreou como realizador em 1969, com Adultério à Brasileira. Seguiu na vertente da comédia com Nem Santa nem Donzela e A B… de Ouro, episódio de Os Mansos.

E então algo se passou em 1974. No mesmo ano, Rovai realizou dois filmes sucessivos com Adriana Prieto – Ainda Agarro Essa Vizinha e A Viúva Virgem. Foram estouros de bilheteria, fizeram milhões de espectadores e ajudaram a mapear esse gênero tão específico, a pornochanchada. Muito se discute a junção de ‘porno’ com ‘chanchada’, que terminou dando um caráter pejorativo a filmes que, em plena ditadura militar, forçaram os limites da censura questionando os costumes e o erotismo.

Há até quem discuta se era um pornochanchadeiro. Era. Loira e bela, Adriana Prieto destacou-se nos filmes de David Neves quase como uma anti-Leila Diniz, de tão diáfana. E aí Rovai fez dela a noivinha que perde o marido no leito conjugal e, viúva e virgem, descobre o sexo com um típico malandro carioca. Outro malandro fica obcecado pela nova vizinha e não descansa enquanto não faz sexo com ela. São filmes que definiram uma época. Rovai faz parte da história.

Produtor

Foi como produtor que Rovai mais se destacou. Esteve por trás de uma das adaptações de “Bonitinha, Mas Ordinária”, com Vera Fisher, José Wilker e Lucélia Santos, e a pornochanchada “Luz, Cama, Ação!”.

A partir dos anos 2000, produziu seus filmes hoje mais famosos. O mais conhecido deles é “Tainá -Uma Aventura na Amazônia”, história sobre uma indiazinha que foi marco do cinema infantil com seus mais de 800 mil ingressos vendidos e rendeu outros dois longas no mesmo universo.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em 2014, Rovai comentou sobre como o gênero do cinema infantojuvenil, que era mais bem-sucedido nos anos 1980 e 1990, enfrentava dificuldades nos anos recentes.

“Dependiam muito do sucesso na TV. Agora há um vácuo, ocupado pela concorrência dos filmes estrangeiros”, disse à época. Em 2011, ele tentou arregimentar outros cineastas para pedir políticas específicas para favorecer as produções do tipo. “Ninguém teve tempo para tocar e abandonamos essa bancada.”

Rovai também aproveitou a alta das comédias e produziu, em 2012, o longa “Qualquer Gato Vira-Lata”, com Cleo Pires e Malvino Salvador. A obra gerou uma continuação quatro anos depois.

O produtor deixa a mulher e a filha.

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