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Mulher nem sempre sente dor no peito ao infartar; veja outros sinais

Muitas vezes, o infarto na mulher não se manifesta como um desconforto no peito e, sim, dor nas costas, na boca do estômago e náuseas. (Foto: iStock)

Imagine a cena: uma pessoa sente uma dor no peito que irradia para o braço esquerdo, falta de ar e mal-estar. O senso comum nos leva a pensar imediatamente que trata-se de um caso de infarto – o que realmente pode ser. No entanto, quando uma mulher sofre um ataque cardíaco, os sinais do problema nem sempre são esses.

Nelas, os sintomas podem ser mais silenciosos e algumas vezes não respeitar os alertas clássicos. Ainda que não sejam sintomas exclusivos ao sexo feminino, em boa parte dos casos as mulheres relatam uma dor na boca do estômago, dor nas costas e náuseas, sinais comumente atribuídos a outras condições como cansaço, azia e estresse.

Mesmo a dor no peito, quando aparece nelas, tem características diferentes. “A dor é atípica, como se fosse um ‘peso’. Muitas vezes, a mulher sente só um desconforto no peito, diz que ficou cansada, com falta de ar e um mal-estar”, explicou Glaucia Moraes de Oliveira, cardiologista e editora associada da revista científica ABC Cardiol, da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), complementando que isso ocorre principalmente após a menopausa.

Como os sintomas podem ser manifestados de forma diferente, muitas vezes não são valorizados, o que retarda o socorro e aumenta o risco de o problema ser fatal.

Por que a diferença?

Entre as razões para os sintomas atípicos estão a anatomia feminina e a forma como ocorre o evento. “As artérias são mais finas e tortuosas”, contou o cardiologista Otávio Gebara. Grosso modo, isso faz com que a dor irradie e pareça menor, em vez de surgir como algo agudo e localizado, como acontece com os homens.

“Além disso, o infarto ocorre quando há uma ruptura de uma placa de gordura, que entope a artéria. Nas mulheres, muitas vezes essa placa não rompe, ela tem só uma erosão. Esse processo de trombose da artéria diferente acaba gerando outros sintomas”, explicou.

Há também um aspecto cultural: habitualmente, homens são mais orientados a procurarem um cardiologista; enquanto as mulheres estão mais atentas à saúde ginecológica e não reconhecem as doenças cardiovasculares como um risco à saúde.

“Muitas mulheres vão regularmente ao ginecologista para fazer mamografia e outros exames relacionados ao gênero, mas não costumam se preocupar com o coração. Assim, são menos diagnosticadas com problemas cardíacos e, quando sentem o incômodo, não imaginam que estão tendo um infarto, acham que a dor está relacionada com outra condição”, comentou o cardiologista  Leopoldo Piegas.

Risco

O risco de desenvolver uma doença arterial coronariana aos 40 anos de idade é de 49% em homens e de 32% em mulheres, de acordo com um reporte da American Heart Association. Porém, com o avançar da idade, a história muda. Isso porque o hormônio estrógeno, que garante essa proteção natural ao coração das mulheres, entra em declínio a partir da menopausa, e aí o risco tende a se igualar.

Um levantamento feito pela SBC, com base nos dados do GBD (Global Burden of Disease), de 2017, mostrou que as doenças isquêmicas do coração (cuja manifestação aguda é o infarto) corresponderam por 15% das mortes tanto de homens como de mulheres aos 70 anos. Aliás, o mesmo levantamento apontou que o infarto mata três vezes mais as brasileiras (em todas as idades) do que o câncer de mama.

Fatores de risco e prevenção

Os fatores de risco são semelhantes para homens e mulheres: hipertensão, obesidade, tabagismo, triglicérides e colesterol altos, sedentarismo, estresse, diabetes e histórico familiar. E esses pontos aumentam o risco mesmo nas mulheres mais jovens, pois a proteção natural ligada ao estrogênio é prejudicada.

Para prevenir o problema, a receita é quase a mesma que para evitar muitas doenças: alimentação saudável, atividade física regular, não fumar ou beber em excesso. E, para as mulheres com mais de 40 anos, consultar um cardiologista periodicamente.

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