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“Não foi com a violência alegada”, disse o diplomata que deu um tapa em uma mulher após uma briga de trânsito em Brasília

Local da batida que causou a discussão envolvendo o diplomata. (Foto: Reprodução/Google)

O conselheiro do Itamaraty Leonardo Lotti Rodrigues – cargo do alto escalão da diplomacia – foi parar na delegacia na terça-feira de carnaval após agredir uma motorista, que é advogada. Os dois se envolveram em uma “leve colisão” perto da Galeria dos Estados.

O diplomata escreveu um “pedido de desculpas” ao Ministério das Relações Exteriores com explicações sobre os motivos que o levaram a dar um tapa no rosto de uma mulher. “Em um segundo de descontrole, e contrariando meu temperamento e meu comportamento habitual, eu infelizmente dei-lhe um tapa no rosto”, reconhece o diplomata em texto enviado por e-mail aos colegas de profissão.

“Mas não [foi] com a violência alegada, pois nunca fui violento e não sei agir com violência. Não foi um ato premeditado, nem com intenção de ferir.” Segundo a ocorrência, os dois teriam discutido e, com a agressão, os óculos da mulher caíram no chão. Ela registrou boletim de ocorrência na 5ª DP e fez exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).

O que diz a motorista

A advogada agredida afirmou que “a história de que a agressão foi leve é mentira”. Uiara Cerqueira conta que o tapa recebido “foi tão forte, que os óculos chegaram a cair no chão”. “Nada justifica a violência dele.”

De acordo com a mulher, o diplomata “foi violento e teve postura agressiva”. O caso foi registrado como “vias de fato” e “injúria”. O funcionário do Itamaraty foi liberado após assinar termo de garantia de comparecer à Justiça. “Se fosse um homem, ele não teria essa postura agressiva.”

“Mal-educada”

No e-mail encaminhado aos colegas de profissão, Leonardo se autointitula um “homem gentil, correto e equilibrado” e diz que “cultivou com afinco” essa imagem ao longo de 25 anos de trabalho, no Brasil e no exterior.

No comunicado, o diplomata pede desculpas “apenas aos amigos, colegas e funcionários” pelo ocorrido. A retratação não se refere à mulher agredida por ele. “Estarei alerta para nunca mais permitir que a agressividade e arrogância de uma pessoa mal-educada provoque em mim qualquer reação que volte a macular minha imagem e minha reputação.”

Outro caso

Em outubro do ano passado, foi preso pela Lei Maria da Penha o diplomata demitido pelo Itamaraty Renato de Ávila Viana. O mandado foi autorizado pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Núcleo Bandeirante, no processo de 2016 em que ele é acusado de agredir uma ex-namorada – ela chegou até a perder um dente. Viana cumpria medida protetiva, tinha sido preso em flagrante à época, mas foi solto.

A decisão para prendê-lo novamente, dois anos depois, ocorreu para “garantir a ordem pública”, informou a delegada da Mulher, Sandra Gomes. “O Ministério Público e o juiz entenderam que, depois desse caso, em 2016, ele vem cometendo crimes semelhantes, mesmo que seja contra outras mulheres.”

A delegada se refere a um episódio de setembro deste ano, em que o diplomata foi preso por desacato, lesão corporal e violência contra a mulher. Ainda de acordo com a investigadora, todos os inquéritos contra o diplomata já foram concluídos e remetidos à Justiça. “Tudo contra ele já está em processo de julgamento.”

Ao ser demitido pelo Itamaraty após o caso, Viana foi enquadrado por improbidade administrativa e por “descumprimento das normas que disciplinam a conduta pessoal e a vida privada do servidor público”.

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