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“Não queremos propaganda negativa do Brasil”, diz Bolsonaro sobre dados do desmatamento na Amazônia

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, neste domingo, que a maneira como os dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre o desmatamento da Amazônia têm sido divulgados prejudica a imagem do País no exterior. As informações são do jornal O Globo.

Bolsonaro disse ainda que os ministros Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente, vão conversar com o diretor do instituto, Ricardo Magnus Osório Galvão, sobre os dados e sua estratégia de divulgação.

“Ele tem mandato, eu não vou falar com ele. Quem vai falar vai ser o Marcos Pontes e talvez também o Ricardo Salles. O que nós não queremos é uma propaganda negativa do Brasil. A gente não quer fugir da verdade, mas aqueles dados pareceram muito com os do ano passado, e deu um salto, então eu fiquei preocupado com aqueles números, obviamente, e fiquei achando que eles poderiam não estar condizentes com a verdade. Então, ele vai conversar com um desses dois ministros, ou com os dois, durante a semana e toca o barco “, afirmou o presidente.

Na sexta-feira, Jair Bolsonaro questionou os dados do desmatamento na Amazônia e disse suspeitar que o diretor do órgão oficial responsável pela coleta dessas informações está “a serviço de alguma ONG”.

Ricardo Galvão afirmou que o presidente está o acusando em público esperando que ele se demita, como fez com o ex-presidente do BNDES Joaquim Levy, que pediu demissão do cargo em junho após críticas de Bolsonaro.

“Eu não vou me demitir”, disse Galvão.

“Psicose ambiental”

Bolsonaro voltou a dizer que uma campanha contra o Brasil está sendo feita a partir dos dados do desmatamento. Segundo o presidente, a maneira como Inpe tem divulgado esses números prejudica a imagem do País.

“Não é o meu nome que tá mal na foto, é o do Brasil. O Brasil não pode fazer propaganda contra ele mesmo. A questão ambiental aí fora é uma verdadeira psicose ambiental. Você tem que combater se tiver desmatamento, divulga-se, agora, não é justo você aqui dentro ter brasileiro fazendo campanha contra o Brasil. No mínimo, se o dado fosse alarmante, ele deveria, por questão de responsabilidade, respeito, patriotismo, procurar o chefe imediato, no caso o ministro. Olha ministro, os dados, aqui, a gente vai divulgar, devemos divulgar, o senhor se prepare, tá tendo uma crise, e não de forma rasa como ele faz, simplesmente coloca o Brasil numa situação complicada.”

O presidente disse ainda que a divulgação desse tipo de dado pode prejudicar a assinatura de acordos internacionais de comércio:

“Se você faz acordo aí fora, mesmo nas franjas do acordo, entra a questão ambiental. Nós estamos conversando com os Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, quer dizer, um dado desse aí, que pode… Até a maneira de você divulgar prejudica a gente. Tem muitas vezes uma fazenda lá na região amazônica, 80% tem que ser preservado, às vezes 100% tá preservado porque por vários anos o proprietário não mexe naquilo, e quando desmata aquele pedacinho, o satélite bota na conta como desmatamento. Esse cuidado tem que ter, e melhor do que eu para explicar esse assunto é o Ricardo Salles.”

Cientistas defendem instituto

Reagindo aos recentes ataques de Bolsonaro ao Inpe, a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) emitiu sábado uma manifestação de “apoio integral ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, dirigido pelo dr. Ricardo Galvão”.

“Conforme carta das principais entidades nacionais representativas da ciência brasileira, enviada ao Presidente Bolsonaro no dia 10/07/2017, a ciência produzida pelo Inpe está entre as melhores do mundo em suas áreas de atuação, graças a uma equipe de cientistas e técnicos de excelente qualificação, e presta inestimáveis serviços ao País”, diz o texto da SBPC.

O órgão afirma que ainda Galvão “é um cientista reconhecido internacionalmente, que há décadas contribui para a ciência, tecnologia e inovação do Brasil”.

“Críticas sem fundamento a uma instituição científica, que atua há cerca de 60 anos e com amplo reconhecimento no país e no exterior, são ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico. Em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza. Desmerecer instituições científicas da qualificação do Inpe gera uma imagem negativa do País e da ciência que é aqui realizada”, escreveu a SBPC.

O desmatamento na Amazônia aumentou, em junho, quase 60% em relação ao mesmo mês em 2018, e a floresta perdeu, no mês passado, 762,3 km² de mata nativa, o equivalente a duas vezes a área de Belo Horizonte. No mesmo período, em junho de 2018, o desmatamento havia sido de 488,4 km². No acumulado de 2019, o Brasil viu uma redução de aproximadamente 1,5 vez o território da cidade de São Paulo.

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