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Nicolás Maduro ainda preside, mas já não é o dono do poder na Venezuela

Nesta semana, Maduro listou nomes de 55 militares que expulsou. (Foto: Reprodução)

Nicolás Maduro já dura 2.265 dias no comando de um regime ditatorial na Venezuela. Sua permanência nessas 324 semanas se deve muito mais ao divisionismo da oposição doméstica e aos erros dos adversários em Washington, Bogotá e Brasília, do que a um respaldo pleno dos seus sócios na cleptocracia.

Dúvidas, se existiam, foram dissipadas na semana passada, com a confirmação de que vários dos principais aliados de Maduro estiveram à mesa com o governo dos Estados Unidos negociando sua queda, em uma “saída institucional”. O fracasso da iniciativa, porém, não elimina as suas consequências.

Ela foi confirmada, publicamente, pela Casa Branca e por dois protagonistas, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, e o chefe do serviço secreto da presidência, Cristopher Figuera. Maduro desapareceu durante 15 horas na terça-feira 30 de abril.

Não se conhecem as razões do recuo do influente ministro Padrino na véspera do contragolpe, junto com o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno. Figuera, chefe da espionagem política, foi acolhido em Washington.

O fiasco, aparentemente, ocorreu por erros de avaliação do governo americano, certificados pelo presidente Donald Trump em críticas — não desmentidas — ao seu assessor de Segurança Nacional, John Bolton, publicadas pelo “Washington Post”. Para Maduro, no entanto, as consequências são desastrosas. Indicam significativo aumento das fissuras no centro da cleptocracia da qual é síndico.

Desde então, Maduro mergulhou em paranoia. Recolheu-se no maior complexo militar de Caracas, o Forte Tiuna. Tem aparecido na televisão estatal, com discursos gravados, de reação às deserções militares. Manteve o general Padrino na Defesa, mas entregou o serviço secreto ao vice Diosdado Cabello, líder das milícias chavistas e vinculado ao grupo de narcotraficantes conhecido como Cartel de Los Soles.

Nesta semana, Maduro listou nomes de 55 militares que expulsou. É sua quinta lista de degredações nas Forças Armadas — já havia prendido outros 164 nos últimos 30 meses. E iniciou nova escalada de repressão à oposição: sequestrou o vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgard Zambrano, e mandou prender deputados — sem êxito até ontem —, que se somariam às duas mil pessoas detidas desde janeiro.

É impossível prever quanto tempo Maduro continuará ocupando a presidência. Porém, desde a semana passada, pode-se afirmar que, se ele ainda manda no Diário Oficial, já não é o dono do poder na Venezuela.