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Brasil Só 3% dos cursos superiores privados têm nota máxima no Enade; nas universidades federais, são 29%

Ferir direitos humanos no texto dissertativo leva a perda de pontos na prova. (Foto: Divulgação)

O Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) é uma avaliação aplicada pelo Inep aos alunos do último ano das faculdades para medir a qualidade dos cursos de graduação, seja da rede pública ou privada.

Os resultados do Enade 2018, divulgados na sexta-feira (04), seguem a tendência dos últimos anos, mas não deixam de ser desanimadores. Renderam, inclusive, comentários negativos do MEC (Ministério da Educação) durante a coletiva convocada nesta sexta. Segundo ele, os alunos que obtiveram baixo desempenho na prova “não deveriam se formar”.

Os baixos resultados se concentram principalmente nas faculdades particulares. Entre os cursos da rede privada, apenas 3,3% obteve a nota máxima (5) e a maioria ficou na média 3 – um desempenho mediano. Entre as universidades públicas, o percentual de cursos com nota 5 é significativamente maior: 20,3%. Se considerados todos os cursos que participaram do exame esse ano, incluindo a rede pública e privada, menos de 6% atingiram a nota máxima.

Segundo o ministro da Educação, Abraham Weintraub, o melhor desempenho das universidades públicas se deve ao perfil dos estudantes, já que a maioria passou por vestibulares mais concorridos. Além disso, ele levantou uma possível “sabotagem” dos estudantes, que intencionalmente buscam notas baixas no exame. De fato, já ocorreram mobilizações do tipo em outros anos, quase sempre com a intenção de protestar contra cursos de má qualidade ou contra cortes nas universidades, mas é mais comum que ocorram nas universidades públicas.

Desempenho do Ensino a Distância

Os resultados do Enade também foram positivos para os cursos da EaD (modalidade a distância). Embora o número de cursos seja bem menor (563 contra 7.957 presenciais), a distribuição percentual foi bem parecida na escala de 1 a 5 pontos. Os cursos a distância, inclusive, saíram um pouco na frente dos presenciais no conceito máximo: foram 6% contra 5,8% presenciais com nota 5 no exame.

Juristas

Pouco mais de um mês após o fim do prazo para o envio de contribuições ao programa Future-se, o Ministério da Educação criou um grupo formado por cinco juristas da Advocacia-Geral da União para analisar as propostas encaminhadas. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União.

O Future-se foi lançado em 17 de julho e é a aposta do MEC para aumentar a verba privada no orçamento das federais em meio ao cenário de contingenciamento. Na proposta original, há a previsão de que as instituições poderão fazer parcerias público-privadas, cessão dos prédios e lotes; criar fundos patrimoniais com doações de empresas ou ex-alunos; ceder os direitos de nomes de campi e edifício; e até usar a Lei Rouanet para projetos culturais. A adesão é voluntária.

Um dos pontos que levantou críticas de algumas universidades foi a inclusão das organizações sociais para celebrar contratos de gestão. Para as instituições, isso poderia ferir a autonomia.

Para começar a valer, o MEC precisa criar um projeto de lei com essas propostas, e enviar ao Congresso Nacional para aprovação. A ideia é que o grupo de juristas ajude na elaboração deste documento.

A consulta pública ao Future-se foi encerrada em 29 de agosto, após sofrer prorrogação. De acordo com o MEC, ao longo de mais de 40 dias, 59.204 pessoas se cadastraram na plataforma e 20.462 responderam pelo menos uma pergunta do formulário.

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