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No inverno gelado, o bronzeado de Donald Trump é um segredo de Estado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (Foto: Reprodução)

As ruas da capital norte-americana estão desertas e geladas. A temperatura caiu, exigindo casacos forrados. Com o governo paralisado até 25 de janeiro, o presidente Donald ​Trump deixou a frigidez de governar por um fim de semana em Palm Beach.

Em uma cidade onde nem mesmo o velho funcionamento do governo federal parece garantido, Trump aderiu a uma constante: um halo ensolarado que brilha como um farol de trânsito contra o cenário cinzento de Washington. Como o tufo de cabelos brancos de Andy Warhol ou a plumagem amarela de Garibaldo, o tom vibrante do presidente é uma presença tão constante e mantida meticulosamente, que era uma representação cultural dele muito antes que entrasse na política.

O tom do presidente é algo que o ator Alec Baldwin, que retrata Trump regularmente no programa “Saturday Night Live”, descreveu recentemente como oscilando entre um “amarelo Mark Rothko” e um “Crush Laranja mais claro”, dependendo do cenário. Que agora é fevereiro em Washington.

“Que não fica nos trópicos, segundo verifiquei”, disse Baldwin em uma entrevista.

A linha oficial da Casa Branca, assim como outras questões que cercam a saúde física e a aparência do presidente, é que o brilho de Trump é resultado de “bons genes”, segundo uma autoridade graduada do governo que só falou sob a condição do anonimato.

Está bem, com um pouquinho de pó —transparente, não um bronzeador— que o próprio presidente se aplica antes de aparecer na televisão, segundo essa autoridade.

Mas há muitos mistérios. Uma pergunta persistente: Trump usa uma cama de bronzear, como disse um maquiador falastrão em 2016 e a ex-assessora Omarosa Manigault Newman afirmou em um livro revelador? (Manigault Newman escreveu que um portador foi demitido depois de transportar erradamente o aparelho.)

Ex-colegas de colégio de Trump o descreveram como um fã dos raios ultravioleta, alguém que colocava uma lâmpada bronzeadora num abajur para “ir à praia”. Até James Comey, ex-diretor do FBI que se tornou inimigo do presidente, especulou sobre o brilho de Trump. “O rosto [do presidente] parecia ligeiramente alaranjado”, escreveu Comey em sua memória, “com meias-luas muito brancas embaixo dos olhos, onde, segundo imaginei, ele colocava óculos especiais para bronzeamento.”

Segundo três pessoas que passaram tempo na residência da Casa Branca, entretanto, não existe essa cama ou bronzeador em spray em um armário secreto da residência, nem um nicho na Ala Leste ou um armário no Air Force One. Duas autoridades graduadas da Casa Branca insistiram que não existem tais aparatos.

Vários apoiadores do presidente não tinham muito a dizer quando perguntados sobre como Trump consegue essa cútis ou sobre maneiras como ele se prepara para enfrentar as câmeras. Um ex-auxiliar de campanha admitiu que aspectos do processo do presidente parecem “uma história cativante”, mas não quis comentar mais, dizendo que Trump deve poder se arrumar em paz.

Além da cama bronzeadora, outra teoria plausível é que Trump use cremes ou loções de autobronzeamento. A doutora Tina Alster, conhecida dermatologista de Washington que disse ter tratado autoridades em todos os governos na Casa Branca, inclusive neste, afirmou que o presidente, que ela não trata, usa cremes ou sprays de bronzeamento para alcançar essa aparência.

“Ele parece mais alaranjado do que bronzeado”, um sinal revelador, segundo Alster.

Outro indício – e que descartaria suplementos alimentares ou remédios que dão um aspecto bronzeado à pele, acrescentou Alster – são os onipresentes círculos brancos embaixo dos olhos de Trump quando ele aparece em público.

“Muitas pessoas da órbita dele me perguntaram”, mas não em nome do presidente, o que ele poderia fazer para obter um tom de pele mais uniforme, disse Alster. “Não tenho nada contra os cremes de uso pessoal, mas acho que você precisa tomar cuidado sobre como os aplica.”

Ela acrescentou que a pele de Trump parece mostrar antigos efeitos do sol, e o elogiou por cortar antigos hábitos de bronzeamento.

Certamente Trump, que há muito tempo toma antibióticos para tratar rosácea, doença que faz a pele parecer rosada e grosseira, é cuidadoso sobre seu aspecto na televisão. Ele se queixou de que sua pele e seu cabelo parecem amarelos ou alaranjados demais na tela, segundo uma pessoa que conhece suas opiniões.

Em consequência, os eventos na Casa Branca hoje têm iluminação mais fraca que em governos anteriores. O presidente também se tornou um adepto da luz natural, como o ambiente do Jardim das Rosas na Casa Branca, onde ele decidiu anunciar o fim da paralisação do governo sob uma temperatura de 4 ºC.

O que Trump faz ou não faz com sua pele, acontece em um ambiente particular. Uma maquiadora da Casa Branca paga pelo contribuinte ofereceu seus serviços voluntariamente, mas não chegou perto de tentar, segundo duas pessoas que ouviram a conversa.

Meia dúzia de assessores atuais e passados e pessoas próximas de Trump dizem que ele sempre foi autossuficiente em termos de cuidados com a aparência.