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Nós, os touros e as rãs

Que país é este? Ninguém sabe com certeza. O andar de cima está em apuros. Presidente, senadores, deputados, empresários & cia. sem fim estão afundados num mar de corrupção. Alguém escapa? A impressão que se tem é que entrou em cartaz velha história cuja ideia central pode ser esta: “Se procurar, acha”. Ou talvez esta: “Se ficar, o bicho come. Se correr, o bicho pega”. Alguns acham bom. Comemoram. Com os olhos no próprio umbigo, pensam não ter nada a perder. Outros se preocupam. Pensam no futuro de filhos e netos. Lembram, a propósito, a fábula Os touros e as rãs. Conhece?

A fábula

Dois touros vizinhos se desentenderam. Um xingou o outro, xingou a mãe do outro, xingou a vó do outro. Resultado: sem diálogo, ambos partiram pra luta. Patas e chifres entraram em ação. Foi um deus nos acuda. Uma rã velha e sabida que vivia por perto olhava a briga com preocupação. Rãzinhas, ao contrário, se divertiam com a briga dos titãs. Ora torciam pra um. Ora pra outro. Uma delas percebeu o pânico da rãzona. Curiosa, perguntou:

— O que houve? Por que você está triste?

Eis a resposta:

— O touro que perder a luta será expulso do pasto. Virá pra cá. Nós vamos pagar a conta de uma luta que não é nossa.

Não deu outra. O derrotado foi para o brejo. Todos os dias dava uma voltinha pelas redondezas. Na caminhada, esmagava montões de rãzinhas com as patas.

A moral da história tem a ver com a realidade verde-amarela. Quando os poderosos brigam, os mais fracos pagam o pato. Quem? Eu, tu, ele.

Pleonasmo

Ops! Ninguém acreditava. Mas aconteceu. O presidente Michel Temer caiu na cilada com a facilidade de quem tira chupeta de bebê. Foi gravado em um senhor malfeito — dar aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha. “Foi uma surpresa inesperada”, diziam repórteres de norte a sul do país. Vamos combinar? Trata-se de baita pleonasmo. Toda surpresa é inesperada. Se é esperada, surpresa não é.

É assim

Olho na preposição. Não troque as bolas. A locução é ao vivo e em cores (Não: ao vivo e a cores).

Coisa velha

Diante das denúncias cabeludas, 10 entre 10 comentaristas começavam a fala com a expressão “caiu como uma bomba”. Eta coisa velha! Joga no time de pontapé inicial, abrir com chave de ouro, depois de longo e tenebroso inverno & cia. preguiçosa. Trata-se de chavão. Vai de encontro à novidade. A expressão, tantas vezes repetida, torna-se arroz de festa. Deixa pra trás a surpresa, importante ingrediente do estilo.

Poder

Não duvide. O acento faz a diferença. Compare: renuncia / renúncia, anuncio / anúncio, secretaria / secretária. O agudo transforma o hiato em ditongo: re-nun-ci-a / re-nún-cia, a-nun-ci-o / a-nún-cio, se-cre-ta-ri-a / se-cre-tá-ria.

Time econômico

É PEC pra lá. É PEC pra cá. As três letrinhas pertencem ao time econômico. Substituem um trio grandão — proposta de emenda à Constituição. Apesar da importância de que se reveste, a grafia de PEC obedece à regra das siglas:

1. Se a sigla tiver até três letras ou se as letras se pronunciam uma a uma, só as maiúsculas têm vez: PM (Polícia Militar), UTI (unidade de terapia intensiva), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

2. Se a sigla tiver mais de três letras, só a primeira é grandona: Detran (Departamento de Trânsito), Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado).

 

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