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Preso, Carlos Nuzman pediu o seu afastamento da presidência do Comitê Olímpico Brasileiro e alegou inocência

Nuzman em depoimento à Polícia Federal. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Carlos Arthur Nuzman está fora do COB (Comitê Olímpico do Brasil). Preso na quinta-feira (5), o ex-presidente da entidade encaminhou a outros integrantes da cúpula uma carta na qual pede seu licenciamento. Em tese, ele pode chegar até mesmo a 90 dias. Dentro do próprio COB, porém, acredita-se que o ciclo do cartola já está encerrado.

Na carta assinada por ele, Nuzman diz que vai defender sua honra e provar sua inocência. No documento, ele pede afastamento da presidência do COB e do cargo de presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016. “Meu afastamento perdurará pelo tempo que se fizer necessário para minha completa, inquestionável exoneração de qualquer responsabilidade pela prática dos atos que, indevida e injustamente, me são imputados”, escreveu.

O afastamento vai evoluir para uma renúncia. Isso deve ser selado na quarta-feira (11), quando presidentes das quase 30 confederações esportivas associadas ao COB estarão presentes à assembleia geral extraordinária convocada pelo presidente em exercício do COB, Paulo Wanderley Teixeira, às 14h30min, no Rio.

Wanderley está no comando da entidade desde a última quinta-feira e, por ora, assim permanecerá. Ele e Nuzman formaram a chapa que venceu a última eleição presidencial do COB, em outubro de 2016. Wanderley comandou por 16 anos a Confederação Brasileira de Judô. Durante sua gestão, os judocas do país conquistaram 12 medalhas olímpicas.

O processo de renúncia de Nuzman tem de seguir o rito ditado pelo Estatuto Social da entidade.

Na sexta-feira, o COB foi suspenso pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), que congelou verbas que repassa ao órgão brasileiro. Ao longo do dia, Wanderley e outros integrantes da cúpula do comitê, como o secretário-geral Sérgio Lobo e o Bernard Rajzman, único membro brasileiro no COI, fizeram inúmeras reuniões para definir um plano de ação.

O COI exigiu que o comitê olímpico do país afaste Nuzman de suas atividades como presidente, ainda que preso temporariamente, imediatamente.

Dirigentes ouvidos pela reportagem acham que Nuzman, para não prejudicar ainda mais a situação do comitê e do esporte nacional, deveria pedir a renúncia de imediato e não se licenciar.

Nuzman, que está detido em presídio na zona norte do Rio devido a suspeita de atuar na compra de votos que elegeu o Rio sede da Olimpíada de 2016, também foi destituído de duas posições que ocupava no COI: membro honorário e integrante da comissão de coordenação para os Jogos de Tóquio-2020.

A Operação “Unfair Play”, da Polícia Federal, investiga o envolvimento de Nuzman como intermediário do esquema entre o empresário brasileiro Arthur Soares de Menezes e os senegaleses Lamine e Papa Massata Diack.

Menezes fez depósitos de superiores a US$ 1,5 milhão aos africanos para supostamente comprar votos na campanha para a Olimpíada de 2016.

Lamine foi presidente da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) e membro do COI até 2015. Papa Massata, seu filho, trabalhou no marketing da IAAF. Ambos são vistos como influenciadores de votos de membros africanos do COI na eleição do Rio para sede dos Jogos de 2016.

Além de Nuzman, foi também preso na quinta-feira Leonardo Gryner, que foi executivo do COB e diretor de operações do Comitê Organizador Rio-2016.

Os policiais encontraram e-mails trocados entre Gryner e Papa Massata, nos quais eles falam em pagamento de valores.

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