Últimas Notícias > Esporte > O Grêmio e o Juventude ficaram no 0 a 0 e decisão de vaga pela Copa do Brasil fica para a próxima semana

O aumento dos casos de sífilis no Rio Grande do Sul reforça a necessidade de prevenção da doença

Transmitida pela bactéria Treponema pallidum, a DST costuma ser tratada com penicilina. (Foto: Reprodução)

Com o término do carnaval e das campanhas de combate às DST (doenças sexualmente transmissíveis) alusivas à festividade, a Secretaria Estadual da Saúde alerta para a necessidade ações preventivas ao longo do ano. Dentre as preocupações mais pontuais está o risco de infecção pela sífilis, causada por uma bactéria de fácil transmissão.

Considerada uma epidemia no País, a doença tem o Rio Grande do Sul no topo do ranking de casos em que a transmissão ocorre de uma pessoa para a outra por meio de transfusão de sangue ou relação sexual (anal, vaginal ou oral) sem o uso do preservativo.

Dados do Boletim Epidemiológico da Sífilis apontam um aumento de 20% na taxa de detecção da doença adquirida por indivíduos residentes no Estado: em 2017, o índice de 112,2 para 134,9 mil casos a cada 100 mil habitantes. No mesmo período, a taxa de detecção da sífilis adquirida no Brasil aumentou em 31%, passando de 44,1 para 58,1 casos para cada 100 mil habitantes.

“Apesar de a forma mais comum de contágio ser a sexual, não é necessário que ocorra penetração ou ejaculação, pois a transmissão pode ocorrer também pelo contato entre mucosas durante as preliminares ou sexo oral”, alerta a médica Maria Leticia Ikeda, do Serviço de Atenção Especializada em HIV/Aids do Hospital Sanatório Partenon, em Porto Alegre.

Segundo a profissional de saúde, a melhor prevenção é fazer com frequência os testes para detectar a doença e usar camisinha feminina ou masculina em todas as relações. Ela menciona, ainda, o tratamento completo, inclusive para os parceiros sexuais.

Características

A sífilis é uma doença infectocontagiosa, sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode também ser transmitida verticalmente, ou seja, da mãe para a criança durante a gestação ou parto, por transfusão de sangue ou por contato direto com sangue contaminado.

Apresenta várias manifestações clínicas e diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primário e secundário da infecção, a possibilidade de transmissão é maior. Se não for tratada precocemente, em anos as manifestações podem deixar sequelas e comprometer o sistema neurológico, olhos, ossos e outros órgãos.

A fase primária da doença se caracteriza pelo surgimento de lesões, inicialmente nos órgãos genitais, e depois em todo o corpo. Na fase secundária, as lesões são indolores e desaparecem espontaneamente, inclusive podem ser confundidas com alergias. Isso dificulta o diagnóstico.

Mas é possível ter a infecção de forma assintomática, ou seja, a pessoa possui a bactéria no organismo e a doença não se manifesta e mesmo assim ela pode ser transmitida. “Essas características reforçam a necessidade de exames periódicos para diagnóstico da doença”, alerta Maria Leticia.

Prevenção

O uso correto e regular da camisinha é uma medida importante de prevenção da sífilis. O acompanhamento e o tratamento adequados das gestantes e do parceiro durante o pré-natal de qualidade contribuem para o controle da sífilis congênita.

A implantação dos testes rápidos para diagnóstico da infecção pelo HIV e triagem de sífilis no SUS (Sistema Único de Saúde) é parte do conjunto de estratégias para qualificação e ampliação do acesso ao diagnóstico do HIV e detecção da sífilis junto à população.

“Isso também passa por uma maior conscientização dos profissionais de saúde e da população em geral”, salienta Maria Leticia. “É fundamental que os serviços acolham o usuário sem julgamentos e preconceitos, sem expô-lo a situações constrangedoras. Precisamos melhorar o acesso e derrubar barreiras, assegurando o sigilo e a privacidade do usuário.”

O tratamento da sífilis varia de acordo com a fase da infecção, sendo a penicilina geralmente a melhor opção. Em muitos casos, o paciente não toma as doses adequadamente ou se expõe a reinfecção. Para assegurar a eficácia, a doença precisa ser monitorada por exames após o tratamento.

Deixe seu comentário: