Últimas Notícias > Colunistas > Mala$ do João

O Banco Central não tem meta para a taxa de câmbio

Foi a primeira visita de Campos Neto ao Senado após a audiência pública da CAE ter aprovado Fábio Kanczuk para a Diretoria de Política Econômica. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a dizer nesta sexta-feira (11) que a autoridade monetária brasileira não tem meta para a taxa de câmbio. As informações são do portal de notícias G1.

Segundo Campos Neto, a recente intervenção feita pelo BC no câmbio por meio da venda de dólares à vista não se deu porque a moeda norte-americana atingiu um determinado patamar, mas sim porque o órgão identificou maior demanda no mercado à vista.

Esse aumento da demanda, explicou, ocorreu porque a queda dos juros de longo prazo fez com que empresas no país pré-pagassem dívidas em moeda estrangeira para tomar financiamentos locais. E, para isso, elas precisaram comprar dólares à vista para enviar ao exterior.

O movimento até então inédito foi em boa parte puxado pela Petrobras, mas seguido por outras companhias, afirmou.

O câmbio se depreciou com o prêmio de risco caindo, com o CDS (risco-país) no mínimo, com a curva longa baixa, e gerou esse movimento de troca de dívida externa por interna”, disse.

Isso (a intervenção) não significa que (o BC) tenha um target para futuro, isso não significa que tenha algum tipo de target para para o câmbio. Isso significa só que uma operação é mais eficiente quando você atende o ponto específico onde está a demanda.”

Pagamentos instantâneos

Campos Neto disse que está “colocando uma pressão muito grande” para que o BC lance até o fim de 2020 um sistema de pagamentos instantâneos, sem cartão. De acordo com ele, detalhes devem ser apresentados em breve.

Esse tipo de sistema de pagamentos já é amplamente utilizado em alguns países asiáticos, como a China. Segundo o presidente do BC, experiências mostram que o custo financeiro cai com esses pagamentos e reduzem a necessidade de notas em circulação. Consequentemente, pontuou Campos Neto, ajudam a reduzir a lavagem de dinheiro.

“Para o BC seria um ganho enorme porque gastamos muito imprimindo dinheiro”, afirmou.

A autoridade monetária também quer impulsionar o microcrédito e deve lançar um pacote para estimular fintechs que queriam atuar nesse ramo.

Crescimento com dinheiro privado

Campos Neto voltou a dizer que a economia brasileira está saindo de um circulo vicioso em que o crescimento era estimulado por dinheiro público. “Nós queremos nos reinventar com o dinheiro privado. O papel do BC nisso é fomentar os mercados.”