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Brasil é líder em notícias por WhatsApp e medo de fake news

O aplicativo de troca de mensagens WhatsApp. (Foto: Reprodução)

No Brasil, 85% dos usuários de internet respondem se preocupar com o que é notícia verdadeira e falsa, online. Os Estados Unidos não vêm muito atrás, dividindo o sétimo lugar com França e Chile, os três com 67%. E o Brasil está também no topo da lista dos países em que o WhatsApp se tornou “rede primária para discussão e compartilhamento de notícias”, com 53% usando a plataforma para notícias, seguido por Malásia (50%) e África do Sul (49%). As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Os dados são algumas das “revelações mais importantes”, segundo os autores, do Relatório de Jornalismo Digital de 2019 do Instituto Reuters, ligado à Universidade Oxford, divulgado na quarta-feira (12).

A pesquisa que embasa o estudo de 156 páginas foi feita pelo YouGov em 38 países, em janeiro e fevereiro, ouvindo via internet cerca de duas mil pessoas em cada um. Os resultados nacionais foram agregados usando cotas representativas por educação, gênero e idade.

O capítulo sobre o Brasil ressalta a “atmosfera de polarização” no ano eleitoral, “culminando com a publicação” de reportagem sobre a campanha de bombardeio de mensagens via WhatsApp. “No dia seguinte, o WhatsApp anunciou que havia banido nas semanas anteriores mais de cem mil contas”, registra o estudo.

Também quanto ao Brasil, “os esforços da indústria de jornais para atrair assinantes digitais parecem estar funcionando, com crescimento de 33% para aqueles que têm edições eletrônicas”.

Mas de maneira geral, destaca o Instituto Reuters, o quadro constatado é de estabilidade, com o número de usuários de internet que pagam por notícias nos EUA, por exemplo, se mantendo nos mesmos 16% de 2017.

“Mesmo nos países nórdicos, com maior nível de pagamento por notícias, a grande maioria tem somente uma assinatura online, sugerindo que a dinâmica ‘o vencedor leva tudo’ deva ser significativa”, avalia Nic Newman, principal responsável pelo estudo.

“Em alguns países, uma fadiga de assinatura já pode estar acontecendo, com a maioria preferindo gastar seu orçamento limitado em entretenimento, Netflix, Spotify, em vez de notícias”, acrescenta.

Faturamento do Google com notícias

US$ 4.700.000.000 (R$ 18,2 bilhões). É um valor maior que as bilheterias combinadas dos dois últimos filmes da série “Vingadores”. Maior do que o valor de mercado de qualquer time de esportes profissional.

Essa é a quantia que o Google faturou com o trabalho das empresas de notícias em 2018, em seu serviço de buscas e no Google News, de acordo com estudo divulgado na segunda-feira (10) pela News Media Alliance.

Os jornalistas que criam esse conteúdo merecem uma fatia desses US$ 4,7 bilhões, disse David Chavern, o presidente da organização, que representa mais de dois mil jornais dos Estados Unidos, entre os quais o The New York Times.

“Eles ganham dinheiro com esse arranjo”, disse Chavern, “e isso precisa oferecer resultados melhores às empresas de notícias”.

Os US$ 4,7 bilhões praticamente equivalem aos US$ 5,1 bilhões que todo o setor de notícias americano faturou no ano passado com publicidade digital

E a News Media Alliance acautelou que sua estimativa quanto ao faturamento do Google era conservadora. Para começar, ela não computa o valor dos dados pessoais que a empresa recolhe sobre usuários a cada vez que eles clicam em um artigo como este.

O estudo ilustra de maneira escancarada o que todos nós sabemos de maneira tão clara e dolorosa”, disse Terrance Egger, presidente-executivo da Philadelphia Media Network, que publica os jornais Philadelphia Inquirer e Philadelphia Daily News, e o site philly.com. “A dinâmica atual do relacionamento entre as plataformas e o nosso setor é devastadora”.

A News Media Alliance está divulgando o relatório antes de uma audiência em um subcomitê da Câmara dos Deputados, terça-feira, sobre a inter-relação entre as grandes empresas de tecnologia e a mídia.

Chavern disse que ele antecipava que o resultado de qualquer diálogo gerado pelo estudo seria a aprovação da Lei de Competição e Preservação do Jornalismo. O projeto de lei que está em debate no Congresso daria às empresas de notícias uma isenção de quatro anos quanto às leis antitruste, permitindo que negociem coletivamente com as plataformas online sobre o compartilhamento de receitas.

O projeto de lei tem apoio bipartidário na Câmara e no Senado, o que inclui apoio do presidente e do líder da oposição no subcomitê antitruste do Comitê Judiciário da Câmara.

“As notícias são uma forma importante de conteúdo que sustenta a sociedade cívica”, acrescentou Chavern.

O Google mantém boa parte dos dados sobre suas buscas e a receita a elas associadas sob sigilo, como faz com seu algoritmo.

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