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O Brasil precisa enfrentar as organizações criminosas, diz o general Etchegoyen

(Foto: Divulgação)

Para o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, general de Exército, Sérgio Westphalen Etchegoyen, o Brasil precisa enfrentar as organizações criminosas nas áreas de contrabando, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, armas e recursos naturais e mineração ilegal, que é fonte de recursos para o crime transnacional. “A maior organização criminosa é o PCC, seguido do Comando Vermelho, o resto orbita em torno delas.”

Segundo ele, o problema não é o custo de combater da criminalidade, mas a falta de gestão. “No Brasil se gasta mais em segurança privada do que em segurança pública.” Os desafios na área da segurança institucional foi o tema da palestra do general Etchegoyen, gaúcho de Cruz Alta, que aconteceu nesta terça-feira,12, na reunião-almoço Menu Porto Alegre, promovida pela Associação Comercial de Porto Alegre.

Em relação as regras eleitorais e a influência da Internet nas eleições, em especial o risco das fake news e o uso de robôs na disseminação de informações, o general Etchegoyen desmentiu que a notícia de que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) iria monitorar as ações dos usuários brasileiros na Internet sem prévia autorização da Justiça, sob o argumento de combater a disseminação de notícias falsas. “Monitorar os usuários é um despropósito”, afirmou.

Ele acrescentou que o mundo cibernético é fascinante e, ao mesmo tempo, tem sido aproveitado por criminosos. “Nossa política cibernética é garantir o espaço democrático, garantir o direito de escolha dos ambientes e segurança nos espaços de exercício de cidadania.”

Quanto a atuação da GSI na paralisação dos caminhoneiros, disse que havia a percepção da forte contrariedade no setor sobre o aumento do diesel. “A partir daí, aconteceu um movimento horizontal, um sindicalismo em rede com concentrações no País inteiro, onde em cada uma tinha um líder. Não era possível antever o volume do movimento.”

O general acrescentou que o governo sempre buscou o diálogo com os caminhoneiros para evitar o desabastecimento generalizado. “Nossa preocupação foi destrancar o País e evitar mais prejuízos com o desabastecimento. Num primeiro momento selecionamos as prioridades, como liberar as distribuidoras de combustíveis e garantir nos aeroportos os suprimentos fundamentais. Além disso, liberar os eixos rodoviários para permitir o abastecimento, primeiro com escoltas e depois com corredores abertos para a circulação.”

Para ele, o mais importante foi uma solução pacífica, que refletiu em toda a negociação.” E complementou: Um dos grandes legados do episódio é o nível de integração dos órgãos de segurança pública e defesa. Essa integração é um processo que já vinha acontecendo com a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Foi criada uma cultura com Centros Integrados.”

O general Etchegoyen comentou, ainda, o lançamento da pedra fundamental do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), previsto para 2022, que está sendo desenvolvido no Centro Tecnológico da Marinha, em Iperó, próximo a Sorocaba, no interior de São Paulo, e terá potência de 30 megawatts. O Brasil tem hoje quatro reatores nucleares em funcionamento. O mais antigo, inaugurado em 1957, no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo, é o mais potente, com cinco megawatts. “Já deveríamos ter o reator há oito anos, o que nos deixou atrás da Argentina e Chile. No Brasil 75% da população depende do Sistema Único de Saúde, que consomem 25% da medicina nuclear brasileira.”

Ele definiu a situação na Venezuela como uma implosão política inédita nas nossas fronteiras. “São mais de quatro milhões de emigrantes em busca de comida. Uma multidão que invadiu Roraima e o Brasil está cumprindo seu papel de líder da região, criando acomodações e servindo seis mil refeições por dia.”

O Brasil chega nas eleições em outubro próximo, conforme ele, com condições de escolher seus representantes democraticamente, mas será necessário reduzir o grau de intolerância e conflitos. “O Brasil é muito maior do que isso e não tem reforma que resolva sem o fortalecimento das instituições.”

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