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O Brasil será o país emergente de maior dívida em 2019

O importante, no caso do Brasil, é a análise da dívida líquida. (Foto: Reprodução)

O Brasil vai se tornar, em 2019, o país com maior dívida bruta como proporção do PIB (Produto Interno Bruto), considerando-se 40 nações emergentes. A projeção foi divulgada na quarta-feira (11) pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) em seu relatório “Monitor Fiscal”. Isso significa que a situação fiscal do país que se deteriorou particularmente nos últimos quatro anos, deve continuar crítica no longo prazo. Em 2022, calcula o FMI, a chamada relação dívida/PIB – um dos principais indicadores de solvência de uma economia acompanhados por investidores – vai alcançar 96,9%.

Em 2016, a dívida bruta do país era a quinta maior entre as nações emergentes, atrás de Egito, Ucrânia, Croácia e Sri Lanka. Já em 2017 o País deve pular para o posto de terceiro mais endividado do grupo, atrás de Egito e Ucrânia, superando os ucranianos em 2018 e tomando a dianteira dos egípcios em 2019. Neste ano, a dívida bruta estimada pelo FMI para o Brasil será de 91,1%. A média das nações emergentes neste ano estará em 51,7% e, entre os países latino-americanos, na média, a dívida bruta estará em 64,3%.

Superávit

Em Washington para a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, minimizou as previsões do Fundo. Na avaliação do ministro, os dados levam em conta o custo da manutenção das reservas externas brasileiras. Há ainda, argumentou, a evolução de outras variáveis que afetam o endividamento a serem observadas, como a taxa de juros e a recuperação da economia.

“O importante, no caso do Brasil, é a análise da dívida líquida”, defendeu Meirelles.

Vitor Gaspar, diretor do departamento de Assuntos Fiscais do FMI, afirmou que o Brasil precisa aproveitar o momento de recuperação depois de uma “longa e profunda” recessão para arrumar suas contas, citando a reforma da previdência como um “elemento crucial”:

“Agora é a hora de colocar as finanças no caminho sustentável”, afirmou.

O Fundo estima que, mesmo com a aprovação da PEC do Teto dos Gastos no fim de 2016, as despesas do governo tendem a cair lentamente, do pico de 39,3% do PIB do ano passado para 36,8% do PIB em 2022. Assim, o País só voltará a entregar um superávit primário (economia para pagamento de juros e, portanto, abatimento da dívida) em 2021, segundo estimativas do FMI, quando o déficit primário de 2,5% do PIB esperado para 2017 vire um superávit de 0,2% do PIB em 2021, chegando a 0,8% do PIB em 2022.

Desigualdade e tributação

Já no setor privado, o Fundo Monetário avaliou que foram reduzidos os riscos que os bancos apresentaram à estabilidade financeira global, que foram elevados nos primeiros anos após a grande crise de 2008. Mas desafios permanecem à economia global, de acordo com a equipe do organismo multilateral. E eles se concentram nas empresas não financeiras – cada vez mais endividadas.

O FMI chamou atenção ainda para uma ocorrência que aflige, hoje, economias de todos os portes dos EUA às nações africanas: o crescimento da desigualdade. O aumento do fosso entre ricos e pobre, com achatamento da classe média, pode impactar a capacidade de expansão e desenvolvimento no futuro, gerar tensões sociais e acirrar a polarização política.

Em relatório, o Fundo debateu três propostas para frear o avanço da desigualdade no mundo: a tributação mais alta para os mais ricos (incluindo o imposto sobre riquezas), a criação de um regime universal de renda básica (UBI, na sigla em inglês e renda mínima no Brasil) e o gasto público em saúde e educação. Neste ponto, o Brasil e citado como exemplo, nos casos do SUS e do Bolsa Família, juntamente com o México e seu programa de distribuição de renda vinculado à frequência de crianças nas escolas.

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