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“O Congresso está mais forte por causa do governo sem coalizão de Bolsonaro”, diz o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia

"A gente vai precisar que o PT, PSB, PDT, PCdoB possam ajudar a aprovar a PEC paralela, senão vai acabar tendo obstrução de alguns", disse Maia. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou neste sábado (13) que o Congresso tem se fortalecido por causa da forma com que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) faz política, sem uma base de coalizão apoiando o governo. Para Maia, se Bolsonaro mantiver esse modelo de relação com o Parlamento, terá dificuldade em aprovar projetos do governo. Na avaliação dele, somente propostas que interessam ao estado brasileiro, como as reformas da Previdência e a tributária, terão sucesso.

Na entrevista, realizada na residência oficial da Presidência da Câmara, Maia negou se considerar um “primeiro-ministro”, mas disse ter chegado ao “topo” de sua carreira política no comando da Casa com a aprovação do primeiro turno da reforma da Previdência, concluído na noite de sexta-feira (12).

Há uma sensação de que o sr. ocupou um espaço de poder deixado por Bolsonaro. O sr. hoje é a figura mais poderosa da política brasileira?

“No sistema presidencialista, o presidente é sempre a figura mais poderosa. Acho que a forma como o presidente compreende a relação com o Legislativo dá a impressão de que o Parlamento está mais forte. Mas o Parlamento está mais forte exatamente pela forma com que o presidente faz política. Quando os governos fazem presidencialismo de coalizão, assumem prerrogativas do Legislativo. E a decisão do presidente de governar sem uma coalizão nos obriga a recuperar a nossa prerrogativa”.

O sr. se sente um primeiro-ministro?

“Não. Apesar de achar que o sistema parlamentarista tem qualidade, virtudes, o Brasil é presidencialista, não quer parlamentarismo. Então a gente não pode querer ocupar um espaço que não existe e que a sociedade discorda”.

O sr. considera que o discurso na votação da reforma foi o principal da sua carreira?

“Sem dúvida nenhuma. Foi o momento mais importante da minha carreira política”. [Emocionado, Maia faz uma pequena pausa e seus olhos enchem de lágrimas].

Como isso muda de patamar a sua vida em termos de projeção?

“No parlamentarismo, a posição mais importante de um político é ser o chefe do Legislativo para ser o primeiro-ministro, não é isso? Eu cheguei no topo da política. Presido a Câmara dos Deputados num momento importante da política brasileira. Então eu não sei se tem outra posição que possa me dar no futuro mais alegria do que ser presidente da Câmara”.

Candidato a presidente da República em 2022?

“Olha, é claro que um elogio, uma referência, é claro que gosto, mas não estou olhando 2022. Acho que quem tem pretensão de ser governador, de ser presidente, eu respeito. O [governador de São Paulo, João] Doria está colocado, o governador do Rio [Wilson Witzel] também tem pretensão. O Luciano Huck não diz isso, mas você sente que ele está querendo construir um ambiente de diálogo sobre o futuro do Brasil”.

No mesmo discurso, o senhor disse que o centrão, “essa coisa do mal”, aprovou a reforma. Qual era o recado?

“A coisa é tratada sempre de forma pejorativa. E às vezes se desgasta o coletivo de forma injusta. De forma majoritária, o ambiente reformista na Câmara está nos partidos colocados como do centrão. Não tem essa unidade que as pessoas imaginam. Não é um corpo unido”.

O sr. falou em nova relação com o governo. O que seria?

“A reforma da previdência era do estado brasileiro, não do governo. Mas os projetos de interesse do governo, ou se melhora o diálogo e a relação, ou o governo não terá nenhuma chance de aprová-los. Se não melhorar a relação, uma privatização, que é uma agenda do governo, não passa. Ou o governo mostra ao seu entorno que a democracia precisa ser respeitada ou terá dificuldade”.

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