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O craque argentino Maradona foi ao último comício do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, antes da eleição

Nicolás Maduro (D), realizou evento de campanha acompanhado do craque argentino Diego Maradona (E). (Foto: Reprodução/Twitter/Nicolás Maduro)

Diplomaticamente isolado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, recebeu demonstrações de apoio de seu colega turco Tayyip Erdogan e do craque argentino Diego Maradona nesta quinta-feira (17), último dia de campanha antes da eleição presidencial de domingo (20), que sofre boicote pela oposição e é denunciada pelo governo dos Estados Unidos.

No comício de encerramento de campanha desta quinta, no Centro de Caracas, Maradona surpreendeu a multidão ao dançar ao ritmo de reggaeton enquanto agitava uma bandeira venezuelana. O argentino se considera um “soldado” de Maduro, é conhecido por apoiar políticos de esquerda, entre eles o ex-presidente Lula, preso por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, e era amigo de Fidel Castro, cuja imagem tem tatuada na perna.

Provável vitória
Os Estados Unidos, a União Europeia e os maiores países latino-americanos criticam o pleito de domingo, no qual Maduro deve conseguir a reeleição para um mandato de 6 anos. Os críticos dizem que Maduro tem a vitória virtualmente garantida, já que dois de seus oponentes mais populares estão proibidos de concorrer e o conselho eleitoral é pró-governo.

O governo Trump ameaçou fazer mais sanções contra Caracas e pediu à América Latina que cortasse funcionários venezuelanos dos sistemas financeiros, além de restringir seus vistos de viagem.

Demonstrações de apoio estrangeiro são especialmente bem-vindos a Maduro no período que antecede o domingo. Na campanha ele procurou legitimar sua liderança, ao mesmo tempo em que tentava minimizar a brutal crise econômica em que os venezuelanos pulam refeições, sucumbem a doenças antes controladas e emigram em massa.

Numa transmissão com tela dividida da televisão estatal venezuelana nesta quinta, Maduro e Erdogan fizeram um bate-papo traduzido com alguns problemas técnicos.

“Desejo muito sucesso nas próximas eleições e, um mês depois, acho que teremos sucesso na Turquia. Uma das minhas primeiras tarefas será uma visita de Estado à Venezuela”, disse Erdogan, referindo-se às eleições presidenciais e parlamentares da Turquia em 24 de junho.

“Tenho fé que você será triunfante”, disse Erdogan a Maduro, cujo principal rival é o ex-governador Henri Falcon, que rompeu com um boicote da oposição para concorrer à presidência.

Por sua vez, Maduro disse a Erdogan que “os venezuelanos vão dar uma lição sobre democracia e liberdade para o mundo no domingo”.

Problemas econômicos

Maduro e Erdogan têm enfrentado críticas por seus governos de estilo autoritário que não conseguem fazer deslanchar suas economias.

Erdogan, cujas raízes estão no islamismo político, entrou em choque com o Ocidente em uma série de questões, incluindo a política da Síria e críticas à medidas domésticas repressivas. Ele também irritou investidores estrangeiros em sua busca por menores juros, em meio a uma inflação de dois dígitos, postura que ajudou fazer a lira turca ter uma baixa recorde este ano.

Maduro, enquanto isso, diz regularmente que uma campanha liderada pelos Estados Unidos está sabotando a economia venezuelana para fomentar um golpe.

Economistas tradicionais culpam controles rigorosos de moeda, má gestão e corrupção pela recessão profunda da Venezuela. Ativistas dos direitos humanos também dizem que Maduro, o sucessor de Hugo Chávez, reprimiu os protestos e ativistas injustamente presos.

“Para o governo venezuelano, essa eleição não foi projetada para parecer legítima diante do mundo ocidental, mas diante do mundo iliberal como Rússia, China, Turquia e Catar”, disse o parlamentar e economista da oposição, Angel Alvarado.

“Maduro tentará se apresentar, não como um democrata, mas como um governo que tem apoio popular… para ter um pouco de legitimidade e receber ajuda financeira.”

A China e a Rússia emprestaram a Caracas bilhões de dólares e ambos têm campos de petróleo significativos na Venezuela, que detém as maiores reservas petrolíferas do mundo.

A Turquia tem uma presença muito menor, mas a Turkish Airlines começou a voar para Caracas em 2016 – uma das poucas aéreas grandes que operam no momento para o país.

Maduro e Erdogan também prometeram mais cooperação em petróleo, mineração, gás, agricultura, tecnologia e indústria.

 

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