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O dólar mais caro faz os brasileiros gastarem menos no exterior

A moeda norte-americana subiu 2,27%, vendida a R$ 3,9548. (Foto: Reprodução)

Com o dólar mais caro ante o real, os brasileiros seguiram reduzindo os gastos com viagens a outros países no mês de fevereiro. A conta de viagens do balanço de pagamentos apresentou saldo negativo de US$ 761 milhões no mês passado, informou o Banco Central.

O valor é 4,16% inferior ao visto no mesmo mês de 2018. Esta também é a menor quantia para fevereiro desde 2016, quando a recessão econômica fazia as famílias brasileiras reduzirem as viagens internacionais.

O saldo negativo do mês passado foi consequência de gastos de US$ 1,302 bilhão dos brasileiros no exterior, menos as despesas de US$ 541 milhões dos turistas estrangeiros no Brasil. Nos dois casos, houve redução ante fevereiro de 2018.

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, existe atualmente uma “forte correção” dos gastos dos brasileiros no exterior, em função da taxa de câmbio. O valor médio do dólar verificado em fevereiro foi de R$ 3,75, conforme o BC. No mesmo mês do ano passado, ele estava em R$ 3,24. Na prática, está mais caro viajar e fazer compras em outros países.

“A depreciação maior do câmbio faz, em alguma medida, que as viagens, sejam até canceladas”, disse Rocha, durante apresentação dos números. Em março, até o último dia 20, o déficit na conta de viagens está em US$ 473 milhões — cerca de metade do verificado em todo o mês de março de 2018.

Os dados do BC mostraram ainda que, em fevereiro, o Brasil registrou déficit em transações correntes  de US$ 1,134 bilhão. O valor reflete o resultado das transações no País com o exterior nas áreas comercial (exportações menos importações), de serviços (transportes e viagens, entre outros itens) e de rendas. Em fevereiro do ano passado, o rombo foi maior, de US$ 2,043 bilhões. No acumulado de janeiro e fevereiro, o déficit está em US$ 7,678 bilhões. Os números, apesar de negativos, não chegam a preocupar. O déficit em conta corrente está em trajetória de queda há pelo menos seis meses, disse Rocha.

Maior cotação

O dólar fechou em forte alta nesta quarta-feira (27), com os investidores de olho na cena política local e nas negociações para a reforma da Previdência, após a Câmara ter aprovado na noite da véspera uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que reduz o poder do Executivo sobre o Orçamento, o que foi visto pelo mercado como uma derrota do governo.

A moeda norte-americana subiu 2,27%, vendida a R$ 3,9548. É o maior patamar de fechamento desde 1º de outubro (R$ 4,0174). Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 3,9613. Em março, o dólar já subiu 5,37%. No ano, acumula alta de 2,08%.

Cenário político e incertezas

Na véspera, os deputados aprovaram PEC que torna obrigatória a execução de emendas coletivas no Orçamento da União, no que pode ser visto como um firme recado de insatisfação na relação com o governo do presidente Jair Bolsonaro após dias de farpas sendo trocadas entre Executivo e Legislativo.

“A situação em Brasília ainda suscita cautela no curto prazo, especialmente com a falta de entendimento do governo com o legislativo. Ainda que o cenário de longo prazo não tenha se alterado de forma substancial, o nível de ruído durante o processo de aprovação da reforma da previdência não está sendo pequeno, o que deve manter o índice bastante volátil nesse meio tempo”, escreveu em relatório a clientes a Coinvalores.

O mercado também monitorou a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Guedes afirmou que a “bola” da reforma da Previdência “está com o Congresso”.

Do lado externo, o mercado observou um dia importante para o Brexit, com o Parlamento reunido na tarde desta quarta para definir o rumo da saída da UE (União Europeia). A premiê britânica, Theresa May, prometeu a parlamentares conservadores que vai deixar o cargo caso o acordo sobre o Brexit firmado com a UE seja aprovado.

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