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O escritor Aldyr Garcia Schlee foi homenageado com o lançamento póstumo de um dicionário de expressões gaúchas

Evento no Palácio Piratini contou com a presença do filho do autor (E). (Foto: Divulgação/Governo do Estado)

Escritor, tradutor, jornalista, professor e desenhista, Aldyr Garcia Schlee é autor do “Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Rio-Grandense”, lançado postumamente nessa quarta-feira durante evento no Palácio Piratini. Nascido em Jaguarão em 1934 e radicado em Pelotas, onde faleceu em novembro do ano passado. A consiste em um compêndio de palavras, expressões, frases e sonoridades linguísticas recolhidas no cotidiano da cultura gaúcha.

Toda a obra do escritor está relacionada à literatura uruguaia e gaúcha, à identidade cultural e às relações fronteiriças. “Cidadão de dois mundos, fez dos idiomas português e espanhol um meio de diluir a fronteira e aproximar o tipo humano identificado pelo mesmo bioma, o pampa”, destacou a secretária-adjunta da Cultura, Carmen Langaro.

O filho do escritor, Andrey Rosenthal Schlee, diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), explicou que ao tentar separar o “Schlee autor” do “Schlee pai”, a literatura perde. “É possível perceber o quanto esses dois lados estavam presentes em cada parágrafo, cada frase dos livros escritos por ele”, contou, emocionado.

O governador Eduardo Leite, que conheceu Schlee na época em que ainda era vereador no município de Pelotas, reconheceu o valor do trabalho do autor:

“Temos a oportunidade de destacar a identidade gaúcha, registrada no dicionário, por meio do registro da fala popular. Assim, entendemos quem somos e de onde viemos. A obra faz referência a esse modo de vida, que ajuda a sedimentar e a espalhar esse sentimento de identificação e de amor ao nosso pedaço de chão”.

Também homenageando o escritor, a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, parabenizou a sensibilidade do Estado em fazer o lançamento do dicionário no Palácio Piratini. “Somente o livro ‘Os Contos Gardelianos’ já é suficiente para colocá-lo entre os grandes. O ‘Dicionário Pampeano’, lançado hoje, é de nós, do que somos e do que nos fez. Schlee ganha a imortalidade”, resumiu.

Fruto de toda uma vida de trabalho do autor, o “Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Rio-Grandense” foi lançado sob o selo Fructos do Paiz, com patrocínio da Braskem, por meio do financiamento do projeto “Pró-Cultura RS”. Os dois volumes serão disponibilizados a instituições de ensino e pesquisa, além de bibliotecas interessadas. Em breve, também poderá ser baixado na internet.

Trajetória

A biografia de Schlee é extensa. Doutor em Ciências Humanas, ele publicou mais de 15 livros, entre contos, ensaios e romances. Sua obra integra mais de seis antologias. Algumas de suas publicações tiveram edições primeiramente no Uruguai, pela editora Banda Oriental.

Também traduziu “Facundo”, do escritor argentino Domingo Sarmiento, e fez a edição crítica da obra do escritor pelotense João Simões Lopes Neto.

Como jornalista, conquistou o Prêmio Esso de Jornalismo e fundou a Faculdade de Jornalismo da UcPel (Universidade Católica de Pelotas). Na área do ensino, foi professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito da mesma instituição e pró-reitor de Extensão e Cultura.

Recebeu duas vezes o Prêmio da Bienal Nestlé de Literatura Brasileira e cinco vezes o Açorianos de Literatura. Em novembro de 2009, publicou “Os Limites do Impossível – Contos gardelianos”, e em 2010, o romance “Don Frutos”, ano em que também foi conquistou o Prêmio Fato Literário de 2010.

Em 1953, com apenas 19 anos, foi o criador do uniforme verde e amarelo da Seleção Brasileira de futebol, a “canarinho”. Já desenhando e fazendo caricaturas para jornais de Pelotas, venceu 201 candidatos no concurso promovido pelo jornal carioca “Correio da Manhã” para a escolha do novo uniforme do Brasil. Depois disso, a então CBD (Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF) oficializou o uniforme.

(Marcello Campos)

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