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O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e um dos donos da JBS/Friboi Joesley Batista brigaram durante a negociação do pagamento de propina, mostra uma investigação

Episódio de 2013 é elemento para operação da Policia Federal desta sexta-feira. (Foto: Divulgação/PF)

Uma das negociações de propina citadas na Operação Capitu, da PF (Polícia Federal), nesta sexta-feira (9) envolveu uma discussão acalorada entre Joesley Batista e o ex-deputado federal Eduardo Cunha, que só não virou uma briga porque o ex-ministro da Agricultura e vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade interveio. Andrade e Joesley foram presos durante a manhã. Cunha está preso desde 2016.

Na operação, desdobramento da Lava-Jato, foram presas 15 pessoas acusadas de integrar um esquema de corrupção entre 2014 e 2015 envolvendo a JBS, o Ministério da Agricultura e a Câmara dos Deputados. Além de Joesley e Andrade, foi preso outro ex-ministro da Agricultura, Neri Geller (PP-MT), hoje deputado federal.

A delação de Joesley narra uma reunião em 2013 em que o empresário se dirige a Cunha “com aspereza” ao cobrar o pedido de federalização do sistema de inspeção de frigoríficos. O ex-deputado então disse, segundo Joesley, que as demandas eram “inviáveis” e que a dificuldade impedia a obtenção de propinas.

Joesley afirma que reagiu igualmente exaltado, levantando-se e intimando o deputado. Andrade, que era ministro na época, teria se colocado entre os dois para evitar uma briga, segundo o relato.

Ainda conforme a delação, Joesley e Cunha entenderam-se “na sequência imediata” e Joesley chegou a convidar Cunha para ir a sede da J&F “a fim de conversarem e comporem-se”. Segundo Joesley, entre as exigências pedidas aos deputados e ao ministério em troca de propina, esta não foi atendida. Os outros dois pedidos foram: a regulamentação da exportação de despojos e a proibição do uso da ivermectina de longa duração (droga antiparasita usada em carnes).

O operador Lucio Funaro, também em delação, narra que Joesley e o executivo da JBS Ricardo Saud “solicitaram diretamente” proibição e liberação de exportação de carne para determinados países.

Segundo Funaro, Andrade teria cobrado R$ 25 milhões na doação de campanha pela tarefa e essa negociação ocorreu em 2014.

Prisões

A PF prendeu 15 pessoas acusadas de integrar um esquema de corrupção entre a JBS, o Ministério da Agricultura e a Câmara dos Deputados de 2014 a 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Entre os presos estão um dos donos da JBS, Joesley Batista, além dos executivos Ricardo Saud e Demilton de Castro. Foram detidos também dois ex-ministros da Agricultura – Antonio Andrade (MDB), que atualmente exerce o cargo de vice-governador de Minas Gerais, e Neri Geller (PP-MT), hoje deputado federal -, o ex-secretário de Defesa Agropecuária, Rodrigo Figueiredo, e o deputado estadual João Magalhães (MDB-MG).

 

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